O diretor nacional da Polícia Judiciária mandou abrir um inquérito para apurar as «falhas» na investigação à morte de José Moreira e companheira, disse à Lusa fonte da comissão de inquérito ao acidente de Camarate.

«Nós enviámos os novos elementos apurados nas audições e recebemos agora uma informação do diretor nacional da Polícia Judiciária de que vai ser aberto um inquérito para apurar as falhas na investigação», afirmou à Lusa o deputado do PSD Miguel Santos.

O deputado social-democrata considerou que as audições revelaram «falhas» e que «a morte só podia ter ocorrido por ato provocado».

De acordo com o ofício recebido pela comissão de inquérito, o diretor nacional da Polícia Judiciária indigitou o subdiretor da diretoria de Lisboa e Vale do Tejo, Alfredo Esberard, de «proceder a reavaliação da investigação referente à morte» de José Moreira e companheira.

A decisão surge na sequência de um requerimento do CDS-PP que solicitava a «apreciação urgente» da investigação face a «erros aparentemente tão gritantes na interpretação e avaliação dos indícios médico-legais e de outros elementos de prova material para a explicação da morte de José Moreira e companheira».

Em declarações à Agência Lusa, o deputado do CDS-PP José Ribeiro e Castro considerou que a iniciativa da PJ «pode ajudar a esclarecer» as circunstâncias da morte de uma «testemunha importante».

«Esperamos que seja feita uma avaliação, de espírito aberto, ao que de errado se passou», afirmou.

José Manuel Silva Moreira, que detinha um avião que foi usado ao serviço da campanha presidencial do general Soares Carneiro, era tido como uma testemunha decisiva na I comissão de Camarate e deveria ter sido ouvido no parlamento dias depois de ter morrido.

A morte do proprietário de aviões, e da companheira, foi na altura tida como acidental, por via de uma falha de gás, com os médicos especialistas ouvidos na comissão a 6 de novembro no parlamento a admitirem outros cenários para o óbito.

A X comissão parlamentar à tragédia de Camarate está suspensa enquanto decorre uma auditoria a documentos do Fundo de Defesa Militar do Ultramar e retomará os seus trabalhos em março.

A comissão de inquérito visa averiguar as «causas e circunstâncias em que, no dia 4 de dezembro de 1980, ocorreu a morte do então primeiro-ministro, Francisco Sá Carneiro, do ministro da Defesa Nacional, Adelino Amaro da Costa, dos seus acompanhantes», do chefe de gabinete António Patricío Gouveia e dos pilotos.