O presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais, Fernando Curto, solicitou esta quarta-feira uma alternativa por parte da Câmara de Lisboa ao fecho do quartel da Avenida Lusíada, cujo terreno foi colocado em hasta pública em julho.

«A câmara antes de vender tem de dizer aos bombeiros e à cidade de Lisboa, qual é a alternativa a este quartel», disse Fernando Curto, referindo-se ao equipamento mais recente do Regimento de Sapadores Bombeiros (RSB), situado junto ao centro comercial Colombo.

O jornal «Público» avançou que a autarquia vai encerrar aquele quartel para poder vender o respetivo terreno à Espírito Santo Saúde ¿ a empresa do Grupo Espírito Santo que detém o Hospital da Luz, contíguo ao edifício. Esta alienação insere-se numa hasta pública de vários edifícios municipais, divulgada pela câmara em julho.

«Andamos a ouvir há cinco anos que o quartel do Colombo vai ser vendido, mas só agora é que está mais real« essa hipótese, assinalou Fernando Curto, salientando que não se pode «interromper o socorro para fazer um quartel durante um ano».

O sindicalista mostrou-se também preocupado com a «habitabilidade» dos bombeiros. «Vamos ficar onde, num barracão?», questionou.

Num documento anexo à proposta 348, assinada pelo vice-presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, e pelo vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, a que a agência Lusa teve acesso, encontra-se o terreno do quartel do RSB, que abrange a Rua Albert Einstein, a Rua Alberto Quintanilha e a Rua Galileu Galilei. Segundo o mesmo documento, a área registada é atualmente 9 mil m2, sendo que a área bruta de construção máxima é de 29 mil m2.

O terreno será vendido por um valor base de 15 milhões de euros, possibilitando uma «multiplicidade de usos», indica a proposta. Ainda assim, está «condicionado a prévia alteração do plano eixo Luz-Benfica, essencial para valorização da propriedade». Os «encargos da demolição [serão da] responsabilidade do comprador», pode ler-se ainda no documento.

Segundo Fernando Curto, este quartel foi construído num «ponto estratégico» da cidade, estando junto ao centro comercial, à Segunda Circular, e a toda a área urbana de Benfica.

Para além disso, o terreno inclui não só o edifício do quartel como também a «central telefónica conjunta, onde estão todas as entidades que fazem a segurança na cidade de Lisboa», como a PSP, a Polícia Municipal e a Proteção Civil, e no qual foram gastos cerca de 500 mil euros - segundo dados não oficiais, esclareceu Fernando Curto.

Ali funciona também o Museu do Regimento, onde estão, «viaturas únicas no mundo» que pertenceram à proteção civil da cidade, exemplificou.

Em risco de encerrar estão também os quarteis do Rossio e da Encarnação. Assegurando que não têm nada a ver com a venda dos quarteis, e que isso é se centra na gestão da câmara, o sindicalista frisou que se trata de «um erro muito grave, porque há vários séculos definiram a segurança da cidade com uma resposta eficaz», através da implementação destas infraestruturas.

Fernando Curto adiantou que foi contactado pelo vereador com o pelouro da Segurança, Carlos Castro, que marcou uma reunião para o final desta semana, início da próxima, onde apresentará o projeto que a câmara tem relativamente à reestruturação da rede de quarteis.

Questionado pela Lusa, Carlos Castro remeteu explicações para o final da reunião pública do executivo municipal, que decorre esta tarde nos Paços do Concelho.

Contactada pela Lusa, fonte da Espírito Santo Saúde confirmou que se mantém a intenção de ampliar o Hospital da Luz, intenção incluída no prospeto da privatização da empresa.

Quanto à intenção de comprar este terreno do quartel, a mesma fonte não quis fazer comentários, lembrando apenas que existe um outro terreno para ampliação.