Um grupo de alunos do terceiro ano da Escola Básica do 1.º Ciclo de Silves está a participar num projeto piloto da autarquia que visa ajudá-los a superar problemas de leitura através de sessões assistidas por cães.

O projeto L.E.R Cãofiante, lançado há três meses, inclui sessões coletivas mensais de Atividades Assistidas por Animais, em que os alunos partilham momentos de leitura, mas também sessões semanais de Terapias Assistidas por Animais, em que a equipa trabalha individualmente com quatro crianças com trissomia 21, dislexia e outros problemas.

«O cão, essencialmente, é um motivador. Motiva a criança para estar presente num contexto em que lhe é pedido um enormíssimo esforço para trabalhar numa área que é o seu ponto fraco», explicou à Lusa a bibliotecária Maria José Mackaaij, sublinhando que a professora dos alunos já viu resultados ao nível da construção do pensamento e de aumento do vocabulário.

A bibliotecária e as psicólogas Ana Paiva e Rute Travassos são quem dinamiza as sessões, cuja metodologia é inspirada no programa R.E.A.D, que já funciona nos Estados Unidos e em Espanha e ao qual foram feitas adaptações para a criação do projeto L.E.R (Livros em Roda), em que os livros vão rodando pelas crianças durante um mês.

Até ao final do ano letivo, o Benny (de raça labrador) e a Pipa (schnauzer), animais de estimação de Rute e Maria José, serão ouvintes atentos nas sessões realizadas na Escola Secundária de Silves, em que participam as crianças com maiores dificuldades na leitura, que se sentem mais tranquilas e confiantes com a presença dos cães.

«O cão brinca com a criança e pode até mesmo intervir nalguns dos exercícios que possamos fazer», observou Maria José, sublinhando que se podem utilizar as capacidades do cão «para o trazer também para o terreno da leitura, ajudando a criança e, sobretudo, motivando-a e recompensando-a pelo enorme esforço e até pela frustração que muitas vezes enfrenta».

No projeto intervém ainda a psicóloga clínica Ana Paiva, que trabalha na vertente da educação parental porque, segundo a própria, "faz todo o sentido trazer os pais para esta atividade", já que «é muito importante para os filhos perceberem que os pais estão a par de tudo o que eles fazem».

Eduardo Martins, um dos pais de uma criança com dislexia abrangida pelo projeto, reconheceu, após estes três meses de sessões, que tem notado melhorias no filho, que está mais concentrado na leitura, mas também noutras tarefas.

Além das sessões assistidas por animais, o projeto engloba ainda uma Escola de Pais, com sessões destinadas aos progenitores das crianças da turma, para a partilha de dificuldades, estilos parentais e estratégias.

Este projeto do município de Silves resulta de uma parceria entre o setor de Psicologia e a Biblioteca Municipal de Silves, como conta a Lusa.