Atualizado às 16:58

A cobrança ilegal de cirurgias por empresas de dispositivos médicos é uma das alegadas fraudes investigadas pela Polícia Judiciária Militar (PJM) que terão lesado os subsistemas dos militares e dos funcionários públicos, segundo fonte ligada ao processo.

A PJM informou hoje que realizou buscas e apreensões de documentos em instalações hospitalares, residências de médicos e empresas por suspeitas de crimes contra o Estado, corrupção passiva e ativa.

Os suspeitos destas «condutas ilícitas criminais» terão desenvolvido «um esquema, do qual lograram conseguir vantagens patrimoniais, causando avultados prejuízos aos subsistemas de assistência na doença» aos militares e aos funcionários públicos, segundo uma nota das PJM.

Um desses esquemas, adiantou à Lusa a mesma fonte ligada ao processo, consistia na cobrança de cirurgias por parte de empresas que vendiam dispositivos médicos e não tinham qualquer certificação para realizar intervenções cirúrgicas.

As cirurgias cobradas eram comparticipadas a 100 por cento pelos subsistemas de assistência na doença aos funcionários públicos (ADSE) e aos militares (ADM).

A suspeita em relação aos montantes cobrados terá mesmo levado os subsistemas a bloquear os pagamentos a algumas das empresas visadas.

A investigação identificou ainda a saída de doentes do sistema de saúde público para o privado, com as faturas a caírem na ADSE e na ADM.

Esta investigação, que começou há alguns meses, teve início numa denúncia, disse a mesma fonte.

Hospital St. Louis diz estar a colaborar com justiça

O hospital privado St. Louis, em Lisboa, confirmou entretanto que foi alvo de buscas por parte da Polícia Judiciária Militar, adiantando estar a colaborar com as autoridades e afirmando ser alheio a «qualquer eventual irregularidade de terceiros».

«Face a notícias hoje divulgadas, o Hospital St. Louis informa que está a colaborar com as autoridades de investigação em processo respeitante a atos cirúrgicos referentes a doentes abrangidos pela ADME [subsistema de saúde dos militares] e encaminhados por profissionais do Hospital Militar», refere um comunicado enviado por uma sociedade de advogados mandatada pela unidade hospitalar.

O hospital acrescenta que «cumpre escrupulosamente os normativos legais e dará todas as informações pertinentes às autoridades», afirmando-se «alheio a qualquer eventual irregularidade de terceiros».

Fonte da sociedade de advogados mandatária do hospital disse à agência Lusa que a unidade foi alvo de buscas por parte da Polícia Judiciária Militar (PJM).