Seis viaturas e 13 elementos dos bombeiros, INEM e GNR foram esta quinta-feira mobilizados para um acidente fictício, em Mesão Frio, que resultou de uma «chamada falsa», um problema que se repete diariamente e preocupa as autoridades.

Os meios de socorro foram acionados às 15:11 pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) para um acidente rodoviário com encarcerados.

Para a aldeia de Oliveira, concelho de Mesão Frio, seguiram a alta velocidade uma ambulância dos bombeiros locais, mais um carro de desencarceramento e o jipe de comando.

Os meios foram reforçados com a equipa médica da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER), de Vila Real, e da ambulância de Suporte Imediato de Vida (SIV), de Lamego, e ainda um carro da GNR com dois militares.

Depois de percorreram várias vezes a estrada de Oliveira e o suposto local do acidente, não foi encontrado nada.

«Estas situações preocupam-nos muito até porque se acontece outra situação qualquer ficamos logo descalços e a mobilização para uma segunda ocorrência pode ser complicada», afirmou à agência Lusa o comandante dos bombeiros de Mesão Frio, Paulo Silva.

O responsável referiu que os meios nestes pequenos quartéis do interior não abundam, nem em voluntários nem em viaturas.

Além do mais, acrescentou, até ao local em causa, os bombeiros demoram «cerca de 30 minutos por estradas estreitas e sinuosas».

«Depois lá, a nossa preocupação é esgotar todas as possibilidades, temos que vasculhar tudo, ver e procurar. Não é chegar e vir embora», salientou.

Mas esta não é a primeira vez que se verifica uma chamada falsa para uma ocorrência nesta freguesia. A última vez foi, segundo o comandante, no verão e à noite.

As chamadas falsas são situações que ocorrem diariamente e que preocupam as autoridades.

Pedro Coelho, porta-voz do INEM, disse à Lusa que estas chamadas «têm consequências graves», pois ocupam meios de socorro e pode acontecer que, depois, não seja possível mobilizá-los para situações reais.

«O meio que daria resposta está ocupado numa situação falsa e nós temos que mobilizar outro meio de mais longe. Pode vir a ter custos humanos muito grandes», acrescentou.

Depois, há ainda a contabilizar os custos associados, como o combustível ou o desgaste das viaturas.

Os últimos dados do INEM relacionados com as chamadas falsas dizem respeito a 2011, ano em que os Centros de Orientação de Doentes Urgentes receberam mais de 21 mil chamadas falsas, que terão originado a saída desnecessária de 7634 ambulâncias.

Segundo o comandante do destacamento da GNR da Régua, Fernando Colaço, em situações como a de Mesão Frio, em que se verifica a existência uma simulação de crime, os militares lavram um auto de notícia que é remetido para o Ministério Público.

Depois é o Ministério Público que delega a investigação desse processo para se tentar apurar a fonte de informação falsa.

Pedro Coelho diz que é preciso atuar, sobretudo nas situações em que há mobilização de meios de socorro, no sentido de se tentar identificar os autores e, segundo referiu, já houve situações de pessoas condenadas a penas de multa ou de serviço comunitário.

Mas é também, segundo o responsável, preciso apostar na sensibilização de todos, desde crianças a adultos.

Para o efeito, o INEM abre as portas à comunidade escolar e vai também às escolas realizar ações de sensibilização, escreve a Lusa.