O autarca que engoliu um documento durante uma busca da polícia, vai responder pelo crime de subtração de documento. É o vice-presidente da Câmara de Portimão, que durante uma busca da Polícia Judiciária por suspeitas de corrução, engoliu um papel. O autarca está entretanto em prisão domiciliária em casa dos pais.

Luís Carito foi o único dos cinco arguidos a ficar em silêncio durante o interrogatório do juiz Carlos Alexandre. Abriu apenas uma exceção para admitir que durante as buscas à sua residência arrancou um papel das mãos do inspetor e engoliu-o.

O gesto valeu-lhe a prisão domiciliária. O juiz invocou o perigo de perturbação da prova, mas a TVI sabe que o mesmo ato vai levar o autarca suspenso a responder pelo crime de subtracção de documento, punido com multa ou prisão até três anos.

A defesa tentou convencer o juiz de que o papel engolido escondia segredos de ordem íntima, mas a PJ já tinha dito que o documento continha nomes e quantias em dinheiro.

Carito e outros quatro arguidos são suspeitos de lesar a câmara de Portimão num milhão de euros através de contratos com empresas de fachada. O dinheiro pago a essas empresas seria depois distribuído entre os arguidos. Além de corrupção e administração danosa, o Ministério Público acredita que havia mesmo uma associação criminosa entre os arguidos.

O autarca esteve preso preventivamente, mas entretanto já está preso em casa dos pais com pulseira eletrónica. Aos juízes, o arguido que é médico disse também que se saísse em liberdade deixaria a política e voltaria à medicina.