A Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve lamentou esta sexta-feira que representantes políticos e sindicatos estejam a fazer «aproveitamento político» das falhas no funcionamento dos serviços de urgência básica da região, contribuindo para um cenário «alarmista».

A Urgência Básica de Loulé abriu o turno da manhã desta sexta-feira apenas com um médico e com falta de material, motivando nova contestação dos autarcas de Loulé e São Brás de Alportel e representantes de médicos e enfermeiros, que já tinham estado na quinta-feira à porta daquele serviço em protesto.

«O Conselho Diretivo da ARS/Algarve refuta a maneira como alguns representantes políticos e de organizações sindicais têm vindo a extrapolar um problema regional para política a nível nacional, correndo o risco de fomentar uma publicidade negativa que poderá vir a afetar o turismo em toda a região», sublinha aquele organismo, em comunicado.

A ARS adianta que tem feito sair informação sobre o processo «de forma permanente, transparente e regular» e reitera que a situação deverá estar resolvida «dentro de muito poucos dias», prevendo que a solução definitiva relativamente aos Serviços de Urgência Básica (SUB) da região seja anunciada «em breve».

Em conferência de imprensa realizada hoje à porta do SUB de Loulé, o presidente da autarquia, Vítor Aleixo, lembrou que menos de 48 horas depois da promessa da ARS/Algarve de que o serviço iria funcionar sem falhas, voltou a haver falta de pessoal e de material naquela unidade.

«O Conselho Diretivo da ARS/Algarve sublinha e reforça mais uma vez que a assistência médica urgente está assegurada através da rede hospitalar de urgência e emergência, tanto para a população residente como para os visitantes da região», lê-se no comunicado a que a Lusa teve acesso, no qual aquele organismo assume as dificuldades em assegurar os turnos dos auxiliares de ação médica.

A falta desses profissionais tem-se feito sentir de forma mais evidente no atendimento do SUB de Albufeira, o que já levou o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses a alertar para a falta de condições daquela unidade e a realizar, em conjunto com comerciantes da cidade, um protesto simbólico, na quinta-feira, junto a uma praia de Albufeira.

A ARS esclarece que a falta de auxiliares tem sido colmatada com a colaboração de funcionários de outras unidades de saúde do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Central que, «voluntariamente e com recurso ao pagamento de horas extraordinárias, têm assegurado diariamente o apoio, a limpeza e a higiene neste serviço».

«O Conselho Diretivo da ARS/Algarve compreende a preocupação da população, mas reforça, de novo, que tem vindo a adotar todas as medidas necessárias para fazer face a eventuais carências de recursos humanos na Região», conclui.

Desde há vários meses que têm vindo a público notícias de rutura de pessoal e material no Serviço de Urgência Básica (SUB) de Loulé, problema que se estendeu recentemente ao de Albufeira, zona turística e com muita afluência de utentes.

O ministro da Saúde, Paulo Macedo, anunciou na quinta-feira que estão abertas mais de cem vagas para médicos de várias especialidades no Algarve, incluindo medicina familiar, após a denúncia da Ordem dos Médicos de falta de clínicos na região.