As praias de Olhão têm sido «visitadas» por algas marinhas que, de acordo com a Câmara Municipal, «tem propiciado preocupações e críticas por parte dos veraneantes» e gerado «idas ao hospital para tratamento».

Em comunicado, a autarquia afirma que, «apesar de as algas marinhas fazerem parte natural do ecossistema e até serem benéficas à saúde, nomeadamente devido à presença de iodo», tem tentado resolver o problema através da AmbiOlhão, empresa municipal, mas que o Parque Natural da Ria Formosa «não tem permitido que a limpeza se faça».

«Desta forma, a Câmara nada mais pode fazer, a não ser lamentar a situação, que é desagradável tanto para os frequentadores das nossas praias como para a própria Autarquia, que se vê impedida de agir para ajudar a solucionar o problema», lê-se ainda no comunicado.

Contactado pela tvi24.pt, José António Pacheco, diretor do Departamento de Conservação da Natureza e Florestas do Algarve, responsável pelo Parque Natural da Ria Formosa, revelou que «na passada quinta-feira» foi contactado «informalmente» por Alberto Almeida, da empresa municipal, e que quando tentou chegar à fala com o mesmo não o conseguiu fazer. No entanto, garante que a mensagem transmitida ao departamento foi de que «era viável que a máquina fosse levada para dar início aos trabalhos».

José António Pacheco garante ainda que «a limpeza das algas, não foi impedida de forma alguma».

Confrontando com a polémica que envolveu a limpeza das algas, o diretor do Parque Natural da Ria Formosa revelou que tentou chegar à fala com o presidente da Câmara de Olhão, António Pina, e com o vereador Carlos Martins, mas que ambos se mostraram incontactáveis, ao contrário do vereador António Camacho, que revelou desconhecer a situação.

José António Pacheco revela ainda que, esta segunda-feira, pediu aos vigilantes que verificassem se a situação se mantinha e foi informado de que «a limpeza foi iniciada».

O tvi24.pt tentou contactar a Câmara de Olhão e a AmbiOlhão, mas, até ao momento, sem sucesso.

Já o hospital de Faro, face aos relatos de gerado «idas ao hospital para tratamento» por causa das algas, garantiu que não tem registo recente de «idas ao hospital para tratamento» por contactos com algas.

«Não temos conhecimento de nenhuma situação desse género», afirmou o departamento de Comunicação daquela unidade hospitalar.



«Algas não são tóxicas»

No entanto, ao contrário do que a Câmara Municipal afirma, as algas - macroalgas - que têm aparecido em Olhão «não são tóxicas» nem têm «qualquer impacto na saúde pública».

Antonina dos Santos, diretora do Departamento do Mar e Recursos Marinhos do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), explica ao tvi24.pt «este tipo de macroalgas desenvolvem-se naturalmente, sendo um fenómeno recorrente perfeitamente natural».

«Estas algas não têm toxinas, não fazem mal à saúde. Só incomoda os banhistas, que estão à espera de uma praia de areia branca, pelo seu aspeto castanho, quando se começa a degradar, e pelo cheiro característico».

Questionada sobre o porquê deste fenómeno estar a acontecer no litoral algarvio, Antonina dos Santos afirma que «poderá ter a ver com as águas mais frias que se sentem no Algarve nesta altura, que fazem com que os nutrientes estejam nas camadas mais superiores e isso provoca que as algas subam à superfície para os procurar, uma vez que se existirem mais nutrientes criam-se mais depressa».

A diretora do Departamento do Mar e Recursos Marinhos garantiu ainda que o IPMA «vai estar atento» e «observar como se desenvolvem e se provocam algum fenómeno na Ria».