As zonas mais vulneráveis a inundações estão no norte e centro do país, com risco de aumentar nos próximos anos, devido às alterações climáticas, sendo a advertência para não construir mais forte no litoral, revelou o investigador Filipe Duarte Santos.

O especialista em alterações climáticas coordenou, juntamente com Pedro Garrett Lopes, o estudo, que avaliou o risco de inundações em Portugal continental, com uma análise mais detalhada em cinco locais selecionados com base na informação existente sobre danos causados e densidade demográfica: baixa do Porto, Gaia, Coimbra, baixa de Lisboa e Algés.

O projeto Cartas de Inundações e de Risco em Cenários de Alterações Climáticas (CIRAC), que será hoje divulgado, foi pedido pela Associação Portuguesa de Seguradores e resultou no primeiro mapa de vulnerabilidade do país, detetada principalmente em zonas costeiras, mas também em vales ou áreas baixas.

A informação, com cenários climáticos para 2020, 2030, 2050 e 2100, ou seja, até ao final do século, vai estar disponível para que todos o possam consultar, desde as autarquias aos responsáveis pelos licenciamentos de obras, passando pelos cidadãos que pretendam construir ou autoridades de proteção civil.

«Diria que o litoral é talvez a parte do território em que a advertência para não construir é mais forte, mas também estamos a falar de leitos de cheia, todas as zonas baixas que têm risco de inundação são áreas onde não se deve construir», explicou à agência Lusa Filipe Duarte Santos.

Este estudo «identifica as zonas em que é prudente não construir, tendo em conta a possibilidade de haver cheias sobretudo no futuro, dado que devido à alteração climática em algumas zonas, principalmente no norte do país, a precipitação intensa vai tornar-se mais provável e, consequentemente, as cheias poderão tornar-se mais prováveis», alertou.

«Nestes cinco locais fez-se uma análise do risco de inundação em cenários de alterações climáticas, tendo em conta a mudança do clima, utilizando cenários climáticos até ao fim do século, e [fomos] ver quais as consequências das mudanças», disse o especialista.

Os investigadores referem que os eventos de precipitação extrema vão ser mais frequentes, com muita chuva em intervalos de tempo relativamente curtos, o que tem como consequência um maior risco de inundação.

Nestas zonas, «baixas e vulneráveis às inundações e onde está grande parte da população portuguesa, concentram-se os danos para as companhias seguradoras, causados por inundações».

«Em termos de mudança climática, os riscos de inundação serão mais fortemente acrescidos, ou seja, o risco irá aumentar mais no norte do país do que no sul», ou seja, no futuro, «o risco de inundação é maior no norte do país e também em Coimbra, do que em Lisboa e Algés» resumiu Filipe Duarte Santos, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Os locais apontados concentram grande parte da população portuguesa, habitações, outras construções e infraestruturas, mas também interesses económicos. As inundações provocam prejuízos financeiros, mas também danos ambientais, como revela a Lusa.