O advogado do antigo ministro Armando Vara, arguido no processo «Face Oculta», reagiu esta quiknta-feira ao pedido do Ministério Público (MP) para a condenação do seu cliente com prisão efetiva, afirmando tratar-se de um ajuste de contas com o poder político.

«Há aqui um fel que é estranha», afirmou o advogado Tiago Rodrigues Bastos, em declarações aos jornalistas à saída da sala de audiências do tribunal de Aveiro onde está a decorrer o terceiro dia das alegações finais do julgamento do processo «Face Oculta».

O defensor disse que o pedido do procurador da República Marques Vidal «transpira uma raiva a uma avaliação que é feita de um determinado poder político», admitindo haver «uma motivação pessoal e política, mas que não assenta nos factos».

Tiago Rodrigues Bastos afirmou ainda que esperava que o MP não pedisse pena de prisão efetiva para Armando Vara.

«Tinha uma secreta esperança que isso não acontecesse, mas também não posso dizer que fico totalmente surpreendido, depois de do que todos ouvimos ontem [quarta-feira]», referiu o causídico, afirmando continuar a acreditar na absolvição do seu cliente.

O advogado do sucateiro Manuel Godinho, o principal arguido no caso, também disse não ter ficado surpreendido com a pena pedida pelo MP.

«Este pedido veio na linha do que tem sido a falta de razoabilidade, de equilíbrio e de contenção das posições da acusação pública neste processo», referiu.

O procurador do MP pediu na quinta-feira a condenação com penas efetivas do antigo ministro Armando Vara, acusado de três crimes de tráfico de influência, e do ex-presidente da REN (Redes Energéticas Nacionais), José Penedos, acusado de dois crimes de corrupção e dois de participação económica em negócio.

O magistrado pediu ainda uma pena única de prisão «não inferior a 16 anos» para o sucateiro Manuel Godinho, acusado de 60 crimes de associação criminosa, corrupção, tráfico de influência, furto qualificado, burla, falsificação e perturbação de arrematação pública.

No total, o MP pediu penas de prisão efetivas para 16 dos 34 arguidos, incluindo Paulo Penedos, filho de José Penedos, que está acusado de um crime de tráfico de influência.

Aos restantes arguidos, o MP admitiu a aplicação de penas suspensas.

O processo «Face Oculta» está relacionado com uma alegada rede de corrupção que teria como objetivo o favorecimento do grupo empresarial do sucateiro Manuel Godinho, nos negócios com empresas do setor empresarial do Estado e privadas.

Entre os 36 arguidos estão personalidades como Armando Vara, antigo ministro e ex-administrador do BCP, José Penedos, ex-presidente da REN, e o seu filho Paulo Penedos, reporta a Lusa.