O cavalo que originou o acidente rodoviário no dia de Natal perto de Évora, provocando quatro mortos e quatro feridos graves, não estava registado em Portugal, tendo sido solicitadas informações às instâncias europeias.

«Temos o número do chip [identificador eletrónico] do animal», mas o mesmo «não pertence a Portugal», revelou à agência Lusa a diretora-geral da Alimentação e Veterinária, Teresa Villa de Brito.

De acordo com a responsável, o cavalo «não foi adquirido nem nasceu em Portugal», o que já levou a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) a contactar os «diferentes chefes veterinário» da Europa para se determinar a origem do animal.

O acidente, que ocorreu no passado dia de Natal na Estrada Nacional (EN) 114, entre Évora e Montemor-o-Novo, envolveu a colisão de dois veículos ligeiros de passageiros, após um deles ter colidido com um cavalo à solta que terá invadido a faixa de rodagem.

Em consequência do despiste, registou-se a morte de um homem e uma mulher, de 52 e 46 anos, e uma criança de cinco anos que seguiam no veículo que embateu no cavalo, assim como uma idosa de 83 anos, que seguia no outro automóvel.

Teresa Villa de Brito realçou que os animais, muitas vezes, invadem a via pública por existir «uma certa negligência dos proprietários» e que «há muitos donos que não fazem o registo dos equídeos», apesar de ser obrigatório por lei.

«Todos os equídeos nascidos em Portugal têm de ser identificados antes de abandonar o local de nascimento, até 31 de dezembro do ano do nascimento ou ainda no prazo de seis meses a contar da data de nascimento», assinalou.

Além disso, a responsável destacou que «todos os animais têm de ter um microchip com um número vitalício, depois de registados numa base de dados, e ¿um passaporte» com as suas características.

Também em declarações à Lusa, o comissário Afonso Zabumba, da PSP de Évora, não revelou pormenores sobre o caso, limitando-se a adiantar que «está a decorrer um inquérito no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Évora».

Contudo, avançou que a PSP está a fazer uma «fiscalização conjunta» com a Proteção Civil Municipal e a Câmara de Évora aos «animais que estiverem na esfera pública ou em zonas confinantes e que representem perigo para o trânsito automóvel e pedonal».

«Se os proprietários não aparecerem, aquando da fiscalização, os animais são recolhidos para um espaço da câmara municipal», afirmou, indicando que, nas últimas semanas, já foram recolhidos cinco equídeos.

Sobre este «trabalho conjunto», o presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá, disse à Lusa que se trata de «uma maior intervenção coordenada das várias autoridades», corroborando que a ação já levou à ¿deteção e apreensão de um conjunto de animais».

«Esses cavalos, de acordo com a lei, aguardam que os proprietários os venham reivindicar», mas, se tal não acontecer, vão ser seguidas as determinações legais, nomeadamente «a possibilidade de venda dos animais em hasta pública», referiu.

O acidente perto de Évora no dia de Natal, que causou quatro mortos e quatro feridos graves, foi o mais grave provocado por um cavalo em Portugal, mas por todo o país há registo de sinistros do mesmo género.

O oficial de relações públicas do Comando de Évora da GNR, Rogério Copeto, que está a compilar os acidentes provocados por animais no ano passado, na área desta força de segurança, revelou à agência Lusa que, até outubro de 2013, ocorreram 1.700 sinistros em todo o país, dos quais cerca de 50 envolveram cavalos.

«O cão é o animal que provoca mais acidentes», mas, normalmente, «os danos são apenas materiais», enquanto uma colisão com um cavalo «é mais grave, devido ao porte» do animal, assinalou.

O responsável precisou que, entre janeiro e outubro de 2013, registaram-se nove acidentes com cavalos no distrito de Faro, oito em Braga e em Beja e sete em Setúbal, tendo resultado, dos cerca de 50 desastres com equídeos, quatro feridos ligeiros.