Três em cada quatro portugueses não pensam ter filhos nos próximos três anos, revela o Inquérito à Fertilidade, que concluiu ainda que a quase totalidade dos inquiridos quer maiores incentivos à natalidade.

Três quartos (75,1 por cento) das pessoas em idade fértil inquiridas no estudo não tencionam ter filhos nos próximos três anos, sendo que a maioria (53,2%) não pensa ter filhos ou ter mais filhos, enquanto 21,9% não pensa ter filhos nos próximos três anos.

A percentagem atinge nas mulheres 73,6% e nos homens 76,4%.

O Inquérito à Fecundidade (IFEC) 2013, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) em parceria com a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), decorreu entre 16 de janeiro e 15 de abril e foi dirigido a uma amostra de mulheres com idades entre os 18 e 49 anos e de homens com idades entre os 18 e 54 anos.

O inquérito, realizado em cerca de 10 mil alojamentos de todo o país e do qual resultaram 7.624 entrevistas, permitiu analisar a fecundidade, para quem tem filhos, para quem (ainda) não tem, em função do número de filhos tidos, do número de filhos que as pessoas (ainda) pensam vir a ter e do número de filhos que desejariam ter.

O estudo estima que as mulheres e os homens residentes em Portugal, têm em média 1,03 filhos, mas pensam chegar aos 1,78 filhos.

Este valor é superior ao que se verifica atualmente, o que, segundo o INE, permite «equacionar um cenário otimista quanto a uma possível recuperação dos níveis de fecundidade no futuro».

O número médio de filhos desejados e o número médio de filhos esperados é de 2,20 e 1,94, respetivamente para as mulheres dos 18-29 anos, e 2,11 e 1,80, respetivamente para os homens, do mesmo escalão etário.

Para as mulheres e homens mais velhos, situa-se nos 2,32 e 1,67, respetivamente para as mulheres dos 40-49 anos, e 2,39 e 1,65, respetivamente para os homens das mesmas idades.

O inquérito regista ainda um decréscimo no número ideal de filhos numa família (2,38 filhos), no número de filhos que as pessoas desejam ter ao longo da vida (2,31 filhos) e aqueles que efetivamente esperam ter (1,78 filhos), uma tendência que se verifica em todas as regiões do país e que é mais acentuada nos homens que nas mulheres.

Os homens e mulheres mais qualificados são os que querem ter mais filhos, mas são os menos qualificados que os têm efetivamente, adianta o estudo, que conclui que são os homens mais qualificados e as mulheres como menos habilitações escolares que esperam ter um maior número de filhos.

A escolaridade tem igualmente impacto no adiamento da maternidade e da paternidade: tanto mulheres como homens mais qualificados têm o primeiro filho mais tarde - 29,9 anos para mulheres com ensino superior (23,9 anos para mulheres com escolaridade até ao ensino básico) e 31,5 anos para homens com ensino superior (27,3 anos para homens com escolaridade até ao ensino básico).

As mulheres mais qualificadas admitem ter o primeiro filho com 33,1 anos (29,4 anos para as mulheres menos qualificadas).

Os homens com ensino superior admitem ter o primeiro filho, no máximo, com 35,4 anos, que contrasta com os 32,4 anos para os homens menos qualificados.

O estudo incluiu também um conjunto de questões para perceber a opinião dos inquiridos sobre os incentivos à natalidade e concluiu que cerca de 94% das mulheres e 92% dos homens consideram que devem existir incentivos à natalidade.

Esta medida inclui, por exemplo, reduzir impostos sobre famílias com filhos, aumentar as deduções fiscais e aumentar os apoios à educação, saúde, habitação e alimentação.

Facilitar as condições de trabalho «para quem tem filhos, sem perder regalias», o que inclui a oportunidade de trabalho a tempo parcial, períodos de licenças de maternidade e paternidade mais alargados e flexibilidade de horários para quem tem crianças pequenas, foi apontada como a segundo medida mais importante.