Trinta e cinco personalidades, incluindo o ex-Presidente da República Ramalho Eanes, altas patentes militares e ex-ministros como Marçal Grilo, associaram-se à causa da defesa do Colégio Militar e pediram a intervenção do chefe de Estado.

O pedido, a que a agência Lusa teve esta terça-feira acesso, foi subscrito numa carta dirigida a Cavaco Silva, a 28 de junho, pelo presidente da Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar.

No ofício, os signatários solicitam ao Presidente da República para que exerça a sua magistratura de influência, com vista à suspensão do despacho do ministro da Defesa, de 08 de abril passado, que determina a transformação do Colégio Militar num internato/externato com rapazes e raparigas e a consequente construção de infraestruturas de internato feminino, absorvendo as alunas do Instituto de Odivelas.

Em declarações à Lusa, o presidente da Associação de Antigos Alunos do Colégio Militar, António Saraiva Reffóios, disse que «não existem razões financeiras e pedagógicas» que justifiquem o internato misto e que, com este modelo de ensino, o Colégio Militar «corre o risco de uma descaracterização, que levará certamente à sua destruição».

A carta pede «uma análise serena e profunda» do assunto, envolvendo pais, encarregados de educação e antigos alunos, que «permita encontrar soluções» para que «as mudanças que venham a ser consideradas necessárias não descaracterizem a instituição bicentenária».

Os subscritores da missiva advogam que «transformar em dois anos um projeto educativo com 210 anos, baseado em internato masculino, num colégio com internato e externato masculino e feminino, é uma decisão que, com enorme ligeireza, descaracteriza totalmente o conceito educativo do Colégio Militar».

O ofício considera ainda «totalmente injustificável, no atual contexto de austeridade», a construção de um edifício de internato feminino no perímetro do Colégio Militar, «orçada em cerca de seis milhões de euros», para funcionar no ano letivo 2014-2015, «simultaneamente com o encerramento do Instituto de Odivelas».

A lista de personalidades integra o ex-presidente da República Ramalho Eanes, o ex-ministro da Educação Marçal Grilo, que coordenou a Comissão para a Reestruturação dos Estabelecimentos Militares de Ensino, a pedido do Ministério da Defesa, os deputados Helder de Sousa e Silva (PSD), João Rebelo (CDS-PP) e João Soares (PS).

Subscreveram o teor da carta os ex-ministros Adriano Moreira, Bagão Félix, Campos e Cunha, Medina Carreira, Roberto Carneiro, Rui Vilar, Rui Machete e Veiga Simão.

O ofício dirigido ao Presidente da República foi também subscrito pelo ex-chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas José Lemos Ferreira, pelos ex-chefes do Estado-Maior da Armada Melo Gomes e Nuno Vieira Matias e pelos ex-chefes do Estado-Maior do Exército Pinto Ramalho e Loureiro dos Santos.