Por cada euro que o Estado investe nos Institutos Politécnicos estes chegam a gerar uma atividade económica de valor oito vezes superior, indica um estudo que avalia o impacto económico regional em sete destas instituições de ensino superior.

Os números constam do estudo académico «O impacto dos institutos politécnicos na economia local», feito a pedido do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP). O estudo, citado pela agência Lusa, analisa o impacto e o retorno do dinheiro investido pelo Estado nas instituições, assim como o dinheiro gasto por docentes, alunos e funcionários nas regiões onde se localizam as escolas onde estudam ou trabalham, pertencentes aos institutos de Bragança, Castelo Branco, Leiria, Portalegre, Setúbal, Viana do Castelo e Viseu.

De acordo com as conclusões apresentadas, é em Leiria que se verifica um maior impacto na atividade económica gerada por cada euro investido pelo Estado português, com um retorno de 8,07 euros.

O Instituto Politécnico (IP) de Leiria é também aquele que contabiliza um maior número de alunos, docentes e funcionários. Insere-se também numa região, indicam os dados apresentados no estudo, que, em comparação com as sete em análise, tem um dos mais baixos índices de envelhecimento, a mais baixa taxa de analfabetismo e um dos mais elevados índices de poder de compra.

O menor impacto regista-se no politécnico de Castelo Branco, onde, ainda assim, o retorno é quase três vezes superior ao investimento do Estado: por cada euro gasto pelos cofres públicos gera-se uma atividade económica de 2,63 euros na região desta instituição.

Analisando o Produto Interno Bruto (PIB) de cada região, é em Bragança que a presença do politécnico tem uma influência maior na geração de riqueza pela região, com a instituição de ensino superior a ter um peso de cerca de 11% para o PIB local.

É no IP de Setúbal que o peso que a instituição representa para o PIB da região onde se insere é menor: corresponde apenas a 1,71% da riqueza criada. Em Viana do Castelo a percentagem é também baixa, de apenas 2,06%.

Mas nas restantes regiões varia, sensivelmente entre os 4,5% e os 6%, valores mais significativos para a riqueza gerada na região.

Os autores do estudo apontam ainda que os dados recolhidos parecem «evidenciar a existência de uma relação linear entre o impacto direto [da instituição para a região onde se encontra] e o número de estudantes de cada instituição», apresentando valores que estimam um impacto direto (gastos de docentes, funcionários e alunos) de nove mil euros por cada aluno, e um impacto total (que contabiliza também a atividade económica gerada) de 16 mil euros.

Em termos totais, os sete IP têm um impacto direto de aproximadamente 270 milhões de euros e um impacto total de 460 milhões de euros.

Os dados foram recolhidos com a aplicação de inquéritos a docentes, funcionários e estudantes.

«Para cada Instituto foi selecionada uma amostra aleatória de cada corpo constituída por 400 alunos, 80 funcionários e 100 docentes», explica-se no estudo quanto à metodologia utilizada. O mesmo estudo acrescenta que, apesar de taxas de resposta muito variáveis, «a amostra recolhida é, mesmo assim, bem aproximada da população respetiva de cada Instituto».