O Ministério Público pediu mais três meses para concluir o inquérito do processo principal do caso do Banco Privado Português (BPP), em que o ex-banqueiro João Rendeiro é um dos arguidos, disse à Lusa fonte ligada ao processo.

«Confirmamos a prorrogação do prazo [processo principal do caso BPP] não nos sendo possível dar, neste momento, qualquer outra informação concreta sobre o processo», informou a Procuradoria-Geral da República, em resposta à Agência Lusa.

A PGR escusou-se, contudo, a confirmar que a dilatação do prazo de inquérito do processo se prende com as diligências pedidas a autoridades judiciárias estrangeiras, no âmbito de uma carta rogatória.

O processo principal do BPP, cuja investigação dura há mais de três anos e envolveu buscas e outras diligências processuais, está relacionado com a primeira intervenção no banco e incide sobre vários aspetos ligados à gestão, aos clientes e ao fisco.

Fonte ligada ao processo avançou à Lusa que neste processo os indícios recolhidos pela investigação apontam para os crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais, burla e eventual abuso de confiança.

Além de João Rendeiro ¿ adiantou a fonte ¿ o processo tem como arguidos dois outros ex-administradores do BPP.

Entretanto, num outro processo que integra o chamado caso BPP, João Rendeiro e os ex-administradores do banco Salvador Fezas Vital e Paulo Guichard vão ser julgados por burla qualificada.

Neste processo, que foi distribuído à 2.ª Vara Criminal de Lisboa e que será julgado por um coletivo presidido por Nuno Salpico, os queixosos são antigos clientes do BPP que subscreveram produtos de retorno absoluto.

Este produto prometia rentabilidades garantidas na maturidade, mas com o colapso financeiro do BPP, no final de 2008, a instituição não cumpriu o estipulado com os clientes.

«Neste processo, foi deduzida acusação contra três ex-administradores do BPP, pela prática em co-autoria de um crime de burla qualificada, relativamente a uma operação realizada em 2008 no veículo de investimento Privado Financeiras», precisou a Procuradoria Geral Distriral de Lisboa, aquando do despacho de pronuncia de levar os arguidos a julgamento.

O BPP foi intervencionado pelo Estado em finais de 2008 depois de o seu fundador e presidente, João Rendeiro, ter alegado rutura de tesouraria, tendo várias queixas-crime sido feitas ao MP, optando outros por intentar ações cíveis contra os responsáveis do banco.

Entre os lesados estão conhecidos investidores e homens de negócio nacionais e estrangeiros, designadamente de Angola, indicou fonte ligada aos queixosos.