A coordenadora do BE classificou hoje como "gravíssimo" o escândalo de alegadas adoções de crianças ilegais num lar da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), na squência da investigação da TVI, mas definiu-o como "problema muito mais de justiça do que de legislação".

É preciso as pessoas compreenderem: isto não foi possível à luz da lei, foi possível contra a lei. É um caso gravíssimo, que deve ser investigado e ter consequências", afirmou Catarina Martins, à margem de uma conferência sobre a Europa, organizada por ocasião do 153.º aniversário do Diário de Notícias, no Centro Cultural de Belém, Lisboa.

O caso denunciado em várias reportagens da TVI já está a ser investigado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa e encontra-se em segredo de justiça e implica o rapto e tráfico de crianças nascidas em Portugal.

Os supostos crimes teriam acontecido na década de 1990, com crianças levadas para um lar em Lisboa, que teria alimentado um esquema de adoções ilegais em benefício de famílias ligadas à IURD que moravam no Brasil e nos Estados Unidos.

É de uma enorme gravidade, a ser verdade, aquilo que conhecemos. Não estamos a falar do sistema legal de adoções. O que estamos a dizer é que houve um sistema ilegal, à margem da lei. O problema não está na legislação que existe, mas no facto de ter sido possível fazer adoções que não cumprem a legislação", continuou a líder bloquista.

Para a dirigente do BE, trata-se de "um problema muito mais de justiça do que de legislação", mas, "em todo o caso, o BE tem vindo, internamente a analisar toda a legislação e mecanismos para entender se há alguma coisa que possa ser melhorada".

Segundo informações avançadas pela TVI, a IURD tem atualmente nove milhões de fiéis, espalhados por 182 países, 320 bispos e cerca de 14 mil pastores.

Esta igreja evangélica foi fundada no final da década de 1970, e é liderada pelo bispo Edir Macedo, considerado um os homens mais ricos do Brasil.

A IURD refuta as acusações de rapto e de um esquema de adoção ilegal de crianças portuguesas e considera-as fruto de "uma campanha difamatória e mentirosa".

No evento em que também esteve presente o secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, os líderes bloquista e do PCP reiteraram as críticas à atual União Europeia e às pressões e constrangimentos de uma dívida insustentável, que consideram ter ser reestruturada, condenando ainda as imposições de Bruxelas através da moeda única e as desigualdades dos países periféricos em relação às grandes potências como a Alemanha, além do "militarismo" crescente.

Esta quinta-feira, o secretário-geral comunista sugeriu hoje uma "reflexão" alargada sobre a legislação da adoção e proteção de crianças e jovens, comentando o escândalo de alegadas ilegalidades num lar da IURD.