Os invernos rigorosos dos últimos anos têm levado a areia de algumas das mais conhecidas praias da margem sul do Tejo, para desespero dos veraneantes e proprietários de bares e restaurantes na Costa da Caparica e no Portinho da Arrábida.

«Este problema, arrasta-se há dezenas de anos, mas com maior gravidade nos últimos dez», disse à Lusa João Cerqueira, do Clube da Arrábida, entidade que luta pelos direitos dos utilizadores da Arrábida e que nos últimos dois anos têm vindo a alertar para o problema da erosão costeira na Praia do Portinho.

João Cerqueira lembrou que, em março de 2013, o Clube da Arrábida entregou à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) um projeto de estudo, feito pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e pelo Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida (ISPA), para identificar as causas do problema e a melhor solução para os resolver.

«Esse projeto, orçado em 150.000 euros, foi entregue à APA, que disse não ter qualquer possibilidade de avançar com o estudo devido à falta de meios. É evidente que ficámos surpreendidos quando, recentemente, ouvimos o ministro do Ambiente dizer que existem uns milhões de euros disponíveis para repor areia na Caparica e, eventualmente, noutras praias, dispensando qualquer estudo», disse João Cerqueira.

«Dá-nos a sensação que isto é deitar dinheiro à rua. Admito que se resolva o problema dos veraneantes no verão de 2014 [na Costa da Caparica], mas, provavelmente, com o inverno de 2014 e 2015, essa areia vai embora. E isto é tudo dinheiro a sair do erário público», acrescentou o responsável do Clube da Arrábida.

Mas se sobram pedras onde antes havia areia na praia do Portinho da Arrábida, o panorama não é melhor nas praias da Caparica, algumas reduzidas a uma pequena língua de areia molhada, mas só durante a maré baixa, porque na maré cheia a água do mar chega mesmo ao paredão, para desespero dos proprietários de bares e restaurantes.

«Com os temporais deste inverno e a não reposição de areias, não temos areia nenhuma. Nem nós nem as outras praias da parte norte da Costa da Caparica», disse à Lusa Jorge Guerreiro, proprietário do bar «O Sentido do Mar», na praia do norte, enquanto alguns veraneantes mais prematuros apanhavam os primeiros banhos de sol, estendidos em enormes blocos de pedra do paredão.

«Além de não termos areia não temos escadas de acesso á praia [que foram destruídos pelo mau tempo]. Se não for feita uma intervenção de fundo, que nos foi prometida, o que nos parece é que não vamos aguentar mais um inverno face aos prejuízos que já tivemos este ano», advertiu, lembrando que os proprietários de alguns restaurantes já fecharam as portas e que outros podem ver-se obrigados a seguir o mesmo caminho.

A promessa de um novo enchimento de areia nas praias da Caparica, a partir de junho, já não chega para animar proprietários de bares e restaurantes das praias da Caparica.

«Possivelmente, vão estragar-nos o verão, porque vão andar aí a repor a areia. E, provavelmente, quando chegar a próxima época balnear essa areia já não vai cá estar», lamentou Jorge Guerreiro, antecipando um futuro próximo pouco animador para os operadores turísticos nas praias da Caparica