Mais de 50 pessoas invadiram esta quinta-feira, às 11:30, as instalações do Novo Banco, na baixa de Coimbra, e exigiram o dinheiro investido em papel comercial do Banco Espírito Santo (BES).

Os manifestantes concentraram-se inicialmente junto às instalações do Banco de Portugal, também em Coimbra, e marcharam depois para o Novo Banco.

A invasão foi pacífica e os manifestantes gritavam, entre outras palavras de ordem, «Queremos o nosso dinheiro». Mais tarde, na hora de fecho da dependência bancária, os manifestantes recusaram-se a sair e ocorreram alguns momentos de tensão. Só com a chegada de oito elementos da PSP é que os ânimos acalmaram e os manifestantes aceitaram abandonar as instalações. 

«Isto não vai ficar por aqui, nem que tenha de assediar as instalações do Novo Banco de todo o país durante toda a minha vida», disse Fernando Fernandes, empresário do Porto presente na manifestação.

Antes da intervenção da polícia, foi possível observar trocas de palavras e ânimos exaltados entre lesados que queriam ficar e outros que queriam sair das instalações do Novo Banco.

«Saiam ordeiramente», pedia, ao megafone, um dos participantes da manifestação, que minutos antes gritava palavras de ordem como «queremos o nosso dinheiro».

Grande parte dos clientes lesados, ao sair das instalações do Novo Banco, aplaudiu a intervenção da PSP.

Os manifestantes, que exigem a devolução do dinheiro investido em papel comercial, cantaram parte da música Grândola Vila Morena e gritaram «gatunos», «não desistimos» e «o banco é nosso».

No passado dia 12, um incidente semelhante aconteceu nas instalações da sede do Novo Banco, na Avenida dos Aliados, no Porto. Cerca de 50 pessoas entraram nas instalações do banco e duas acorrentaram-se mesmo no interior da dependência bancária.  

O Banco de Portugal reafirmou, depois de uma reunião com a associação de clientes detentores de papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES), que o Novo Banco não tem de compensar os clientes que compraram papel comercial nos balcões do BES, e que só pode avançar com uma solução se esta não afetar o seu equilíbrio financeiro.

Uma resposta que terá indignado os clientes lesados. 
A Associação dos Lesados e Indignados do Papel Comercial (AILPC) do BES admitiu mesmo «abrir um processo judicial contra o Banco de Portugal», acusando-o de ter emitido um comunicado que não espelhou o conteúdo dessa reunião. 

A 3 de agosto de 2014, o Banco de Portugal tomou o controlo do BES, após a apresentação de prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades: o chamado banco mau (um veículo que mantém o nome BES e que concentra os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas) e o banco de transição que foi designado Novo Banco.