O condicionamento do Serviço de Urgência Básica (SUB) de Loulé por falta de médicos e enfermeiros está a ser contestado por um movimento de cidadãos que admite manifestar-se e até ocupar o centro de saúde até a situação estar resolvida.

O Movimento de Cidadãos em Defesa dos Serviços de Saúde de Loulé, que em 2012 se manifestou contra a intenção de encerramento daquele SUB, diz em comunicado que «se a situação da falta de médicos não se resolver com a máxima brevidade vai voltar a sair à rua com a intenção de ocupar o Centro de Saúde até que a situação esteja resolvida».

Em comunicado, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, assumiu a «falta pontual» de médicos nas escalas dos SUB de Loulé e Albufeira, mas assegurou que «tomou todas as diligências necessárias para colmatar» as faltas, sublinhando que a gestão e organização do sistema de urgência e emergência é da responsabilidade do Centro Hospitalar do Algarve.

Durante os dias 01 e 02 de maio o SUB de Loulé esteve a funcionar sem médicos, situação que segundo o sindicato dos enfermeiros resulta da redução de profissionais afetos àquele serviço, à semelhança do que acontece com os SUB de Vila Real de Santo António e Albufeira.

Considerando que a situação é «inaceitável», o executivo municipal de Loulé já se reuniu com a Administração Regional de Saúde e com a administração do Centro Hospitalar do Algarve, tendo-se apercebido de que existe um conflito entre ambas as entidades, que descartam responsabilidades sobre a matéria.

De acordo com a ARS/Algarve, é o Centro Hospitalar do Algarve que «obrigatoriamente, tem de assegurar a prestação de serviços e atendimento 24 horas por dia nos SUB de VRSA, Loulé e Albufeira, à semelhança do que acontece no SUB de Lagos», embora aquela administração possa ajudar à resolução do problema.

«Quando se verificam dificuldades pontuais na gestão de escalas e serviços dos SUB e sempre que comunicado atempadamente pelo Centro Hospitalar do Algarve, a ARS/Algarve, por sua iniciativa e por disponibilidade de um conjunto de profissionais contribui para a resolução da falta pontual de elementos médicos escalados», sublinham.

Os deputados João Semedo e Cecília Honório, do Bloco de Esquerda, já questionaram o Ministério da Saúde sobre a falta de profissionais naquele SUB por forma a garantir o seu funcionamento e querem saber quais a medidas que vão ser tomadas para resolver a situação do SUB de Loulé.

No documento enviado ao ministério, os deputados observam que aquele serviço serve o maior e mais populoso concelho do Algarve, que regularmente tem mais de 70 mil habitantes, número que triplica durante o pico turístico.

¿O SUB de Loulé esteve a funcionar sem médicos nos dias 01 e 02 de maio. Em alternativa, a população teve que se deslocar ao Hospital de Faro:«Não há médicos de serviços, é favor dirigir-se ao Centro Hospitalar de Faro», era a mensagem afixada na porta do SUB, contam os deputados.

Além das dificuldades colocadas aos utentes, os deputados alertam que este episódio originou uma sobrecarga no serviço de urgência hospitalar de Faro onde o tempo de espera para triagem «chegou a ser de uma hora», como conta a Lusa.