Pelo menos 40 pessoas deram entrada nas urgências e cerca 20 tiveram de receber assistência numa sala de triagem montada para o efeito, na sequência de uma nova intoxicação no call center da PT, em Beja.

Segundo apurou a TVI no local, não há casos graves a registar nem que inspirem grandes preocupações, mas houve alguns trabalhadores, sobretudo jovens, que sentiram fortes dores de cabeça, náuseas, ardor na garganta e alguns chegaram a desmaiar.

A Autoridade para as Condições no Trabalho (ACT) evacuou todo o edifício, que vai estar fechado durante pelo menos todo o dia de amanhã para análise do ar e até existir nova ordem que autorize o regresso ao trabalho.

O enfermeiro-diretor do hospital de Beja disse à TVI que 15 pessoas já tiveram alta, e espera que durante a noite todos os outros pacientes possam, igualmente, ser enviados para casa. A mesma fonte confirmou que os sintomas apresentados são iguais ao da última intoxicação (verificada no sábado).

Ao local ocorreram bombeiros de várias corporações do Baixo Alentejo para ajudar no transporte de doentes. Segundo a agência Lusa, estiveram no local 28 bombeiros das corporações de Beja, Aljustrel, Alvito, Ourique, Serpa e Castro Verde, a ambulância de Suporte Imediato de Vida (SIV) de Castro Verde e elementos da PSP e da Autoridades para as Condições do Trabalho (ACT).

Algumas ruas chegaram a ser fechadas para facilitar o trânsito das ambulâncias.

Em comunicado enviado às redações, a PT Portugal confirmou que 41 trabalhadores foram assistidos pelo «Serviço de Bombeiros Voluntários de Beja no seguimento de queixas de má disposição e de náuseas», tendo sido transportados para o hospital «para serem observados».

A PT confirmou, também, o encerramento o edifício «para se proceder a uma auditoria interna com objetivo de averiguar a origem das más disposições causadas nos trabalhadores», e que «as instalações só deverão ser reabertas após conclusão da auditoria e após garantia da total segurança».

A entidade garante que após o incidente de sábado «procedeu de acordo com as recomendações da ACT, nomeadamente, efetuando a limpeza exaustiva dos aparelhos de ar condicionado, dos espaços e o seu arejamento prolongado e de imediato iniciou um processo de averiguação do sucedido».

Quanto ao incidente de hoje, a PT lamenta o sucedido e diz que «tudo fará para restabelecer o normal funcionamento da atividade».

Ainda no sábado uma intoxicação no mesmo sítio deixou 17 pessoas indispostas, que tiveram de ser encaminhadas para o hospital.

Segundo o que a TVI24 conseguiu apurar na altura, os doentes tinham idades ente os 22 e 43 anos, sete homens e 10 mulheres. Fonte da PSP adiantou que o alerta foi dado por volta das 17:00.  Por volta das 22:30, todos tiveram alta clínica. 

No sábado o que motivou a intoxicação foi «uma desinfestação que acabou por correr mal» nas instalações do centro de atendimento telefónico, que foi realizada na noite de sexta-feira. Fonte hospitalar indicou que os funcionários apresentavam «em diferentes graus sintomas respiratórios, náuseas e vómitos, revertidos com a terapêutica instituída». «Esta sintomatologia iniciou-se, alegadamente, após contacto com produto utilizado em desinfestação efetuada durante a noite de sexta-feira no seu local de trabalho, o edifício da PT em Beja». 

Na origem da intoxicação estará um químico, utilizado na desinfestação realizada em dois pisos do centro de atendimento, que se destinava a combater piolhos de pombo.