Mais de 1.200 pessoas estão registadas no Banco de Trocas, um projeto que nasceu há um ano e que assenta numa economia solidária voltada para a troca de bens, produtos e serviços sem recurso a moeda ou créditos.

Em declarações à agência Lusa, Adélia Ribeiro, uma das fundadoras do Banco de Trocas, fez um ponto de situação do projeto um ano depois de ter sido criado na zona Oeste e que promove as trocas entre as pessoas, tendo em conta a utilidade, produto ou serviço.

«O balanço que fazemos é bastante positivo face as expetativas iniciais. Já prevíamos que, sendo um projeto online, teríamos que lidar com algumas barreiras, pois, apesar de tudo, as pessoas ainda têm algumas desconfianças e preferem tratar destas coisas pessoalmente», declarou.

Adélia Ribeiro contou que desde o arranque do site www.bancodetrocas.pt, mais de 1.200 pessoas entre os 30 e os 45 anos, registaram-se e trocaram produtos e serviços entre si, com sucesso.

Como exemplos, Adélia Ribeiro apontou explicações, revisão de carros, sessões terapêuticas, formação ou trabalhos de costura.

«Temos, por exemplo, uma professora que, em troca de explicações, aceitou trabalhos de costura, temos uma pessoa que trocou um móvel por uma sessão terapêutica, outra que trocou a construção e um website por uma formação e ainda outro que trocou um serviço de mecânico automóvel por uma formação», relatou.

Adélia Ribeiro explicou que as três pessoas que gerem o Banco de Trocas não têm acesso à informação que os inscritos trocam entre si, por uma questão de privacidade, mas vão sendo informados pelos utilizadores sobre as trocas e o seu sucesso.

A mesma responsável lembrou à Lusa que o projeto surgiu da vontade que um grupo de três amigos teve de colmatar as necessidades das pessoas, tendo em conta a conjuntura económica.

«Com a intervenção da troika e a crise internacional e, porque há muitos desperdícios, tivemos a ideia de criar o banco na Internet, um sitio onde as pessoas se registam disponibilizando produtos e serviços com a oportunidade de troca», disse.

Adélia Ribeiro explicou que no banco nada é quantificado nem traduzido em termos de moeda, ou seja, dinheiro.

«O objetivo do banco de trocas não é esse. É trocar produto por produto, produto por serviço, serviço por serviço, independentemente do que que cada um faz», salientou.

Adélia Ribeira lembrou que o Banco nasceu em setembro do ano passado, mas começou a ter maior movimento no fim de 2012 e janeiro de 2013.

«Na altura propusemos também organizar os Encontros de Trocas que deveriam ocorrer em locais públicos onde os utilizadores pudessem divulgar e trocar os seus bens, produtos e/ou serviços de forma direta sem intermediários, mas até agora não conseguimos organizar nenhum», afirmou.

Adélia Ribeiro referiu à Lusa que têm tido dificuldades em conseguir um espaço público para os encontros.

«Chegamos a falar com várias entidades locais da zona Oeste, que acharam o projeto bom, mas as questões políticas e depois com a junção das freguesias não conseguimos levar a cabo o encontro, mas não desistimos, retomamos os contactos e estamos convictos que até ao final do ano vamos conseguir concretizar», prometeu.