Por: Catarina Pereira | 6- 3- 2009 18: 53
A Direcção Regional de Educação dos Açores (DREA) enviou, nos últimos meses, uma circular às escolas do arquipélago no
qual impõe um controlo sobre a Internet das escolas ligadas à rede do Governo Regional.
Quer isto dizer que todos
os computadores das escolas açorianas só têm acesso aos sites que a DREA entender. «Temos um software que faz a triagem dos
temas [efectuada pela Direcção Regional da Ciência e Tecnologia]. Por exemplo, quando um aluno escreve a palavra sexo, não
consegue aceder a sites com conteúdos pornográficos», explicou Lina Mendes, Secretária Regional da Educação e Formação, ao
tvi24.pt.
No ofício-circular enviado às escolas, ao qual o tvi24.pt teve acesso, pode ler-se: «Foi
decidido bloquear o acesso a todos os sítios que, de alguma forma, possam conter material desadequado ao exercício das actividades
escolares, nomeadamente aqueles que se encontram classificados nos seguintes domínios: Adult/Sexually Explicit, Criminal
Activity, Gambling, Illegal Drugs, Intimate Apparel and Swimwear, Intolerance and Hate, Ring tones/Mobile Phone downloads,
Shopping, Tasteless and Offensive, Threat and Fraud URLS, Violence, Weapons.»
A DREA admite ouvir as escolas
e os professores, caso indiquem sites com conteúdo educativo que contenham, seguindo o exemplo, a palavra sexo. «O nosso objectivo
foi proteger os alunos em relação a conteúdos considerados impróprios. Não se trata de censura, mas sim de protecção e segurança.
Temos orgulho nesta decisão», confessou.
«Medidas imperativas, que temos mesmo de cumprir»
Na prática,
esta decisão tem gerado muita polémica. «Acho que foi uma medida exagerada, ainda que entenda a intenção. No entanto, deviam
ser as escolas, uma a uma, a controlar os conteúdos e não a DREA», disse Carlos Veloso, presidente do Conselho Executivo da
Escola Básica Integrada de Roberto Ivens, em Ponta Delgada, ao tvi24.pt.
«Sabemos que é necessário controlar
a vulgarização do acesso a determinados sites, mas aqui na escola sempre o fizemos com os próprios professores a estarem atentos
aos alunos nas salas que têm computadores. Não entendo esta decisão como censura, mas são medidas imperativas, que temos mesmo
de cumprir, sem terem ouvido a nossa opinião», acrescentou.
A secretária regional negou, no entanto, que os directores
das escolas não tenham sido ouvidos: «Esta medida já vem da anterior legislatura. Os directores foram alertados e auscultados
em várias reuniões. Nas escolas que estão ligadas à rede do Governo Regional, só num ou noutro caso é que o mecanismo ainda
não está a funcionar.»
Confrontada com a alternativa de dar esse «poder» às escolas, Lina Mendes referiu que, «enquanto
tutela, a responsabilidade e a gestão destes assuntos» é da DREA «e não das escolas».
«Decisão devia ter sido
partilhada»
Contactado pelo tvi24.pt, o presidente do Sindicato dos Professores da Região dos Açores também
exprimiu a sua opinião: «Compreendemos a intenção da DREA, no entanto achamos questionável a forma centralizada de tomar estas
decisões. Podiam conferir essa responsabilidade às escolas.»
Armando Dutra confirmou que o sindicato não foi ouvido
pela DREA. «As decisões deviam ser partilhadas pela comunidade educativa, na qual nos incluímos. Entendemos que devíamos ter
tido uma participação neste processo», afirmou.
«Seria mais importante haver um debate com os alunos sobre este tema
do que impedir o acesso a sites da Internet. E a triagem poderia ser feita pelos educadores, eles é que deviam fazer a selecção
da informação», concluiu.
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