O Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, registou este ano três casos de abandono de idosos e um aumento do número de doentes com alta protelada, a maioria por motivos sociais, segundo dados revelados esta terça-feira pelo estabelecimento hospitalar.

Em 2012, o Hospital Beatriz Ângelo teve 138 situações de doentes com alta protelada. Este ano já são 172 casos, dos quais 69 por «motivos exclusivamente sociais», adiantam os dados avançados à agência Lusa no dia em que o Centro Hospitalar de Lisboa Central promove o II Congresso do Serviço Social

Segundo o hospital, têm aumentado os casos de doentes internados cujas famílias não aceitam a alta clínica: «Visitam os seus familiares, mas não aceitam as propostas da equipa multidisciplinar e não aceitam as respostas sociais existentes».

Os motivos, em geral, apontados pelos familiares para recusar aceitar o doente é que «não têm condições para ter os doentes em casa».

As famílias pedem encaminhamento para a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) e solicitam apoio económico para pagamento de uma estrutura residencial para idosos.

«Em situações do foro da saúde mental solicitam internamentos em unidades de longa duração, vocacionadas para este tipo de tipologias», explica o hospital.

Nos casos em que aceitam o doente, as famílias pedem ajuda ao hospital, nomeadamente apoio domiciliário, centro de dia, transporte por ambulância, ajudas técnicas, apoio do banco alimentar e ajuda para compra de medicamentos.

O hospital adianta que as situações que ficam proteladas a aguardar vaga em apoio domiciliário têm uma ¿resolução célere¿, entre três a 15 dias, enquanto para a RNCCI a demora média situa-se nos 41,5 dias.

Observa ainda que se verifica uma demora na resolução dos casos dos doentes que ficam protelados à espera de lar ou outras respostas, como comunidades terapêuticas, e que carecem de resposta da Segurança Social,

«Temos tido também casos de internamento por motivos sociais, que têm uma demora entre duas semanas a 11 meses, que foi o período máximo que tivemos», acrescenta.

Os dados indicam também que, em 2012, foram registados três situações de abandono de idosos e duas situações de abandono de deficientes.

«Em termos estatísticos», em 2012, surgiram 24 doentes abandonados em todos serviços do HBA (internamento e Serviço de Urgência, mas são «situações de abandono de doentes internados, cujas famílias visitam os doentes, mas não colaboram com a equipa multidisciplinar, não aceitam a alta clínica nem as respostas sociais», explica.

No mesmo ano, foram registados 64 casos de negligência ou maus-tratos a crianças, a maioria (27) por violência física.

Este ano, já foram assinalados três casos de abandono de idosos e três casos de negligência ou maus-tratos contra este grupo etário.

Segundo os dados, foram também assinalados, em 2013, 53 casos de negligência ou maus-tratos a crianças.

Tal como no ano passado, a maioria (28) dos casos foram maus-tratos físicos, seguindo-se as situações de negligência grave (20), disfuncionalidade parental (17), os maus-tratos psicológicos (16), a suspeita abuso sexual (13) e dois casos de «abandono afetivos» e duas situação de «abuso sexual confirmado», cita a Lusa.