O presidente do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) garantiu hoje que Portugal dispõe da «quantidade suficiente» de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para os profissionais de saúde usarem no combate ao ébola e confirmou que já houve quatro casos suspeitos.

Em declarações à agência Lusa, Fernando Almeida disse que o instituto a que preside – e que faz parte da comissão de acompanhamento, juntamente com a Direção Geral de Saúde e o Instituto Nacional de Emergência Médica, assim como os hospitais de referência – dispõe de equipamentos específicos, com os quais os profissionais trabalham em meio laboratorial.

Isto porque é neste instituto que são realizadas as análises ao vírus do ébola, assim como a outros agentes com a mesma perigosidade.

Até ao momento, e segundo Fernando Almeida, foram realizadas análises a quatro casos suspeitos de ébola em Portugal, tendo todos eles obtido resultado negativo.

Em relação aos EPI para os profissionais de saúde que trabalhem em casos de doença por este vírus – que já matou mais de 3.000 pessoas na África ocidental – o presidente do INSA assegurou que existem os equipamentos suficientes nos hospitais de referência, bem como em outros que venham a necessitar deste material.

Em Lisboa, os hospitais de referência são o Curry Cabral e o Dona Estefânia, para as crianças, e, no Porto, o de São João.

Fernando Almeida referiu que a comissão de acompanhamento está em permanente atualização da informação, e que a Direção Geral da Saúde, que preside a este grupo, irá emitir as orientações necessárias, consoante o conhecimento científico vá avançando.

«A DGS faz, a todo e qualquer momento, atualizações do que está escrito, de acordo com o que é emitido pela Organização Mundial da Saúde e de outras redes», adiantou.

Segundo uma orientação que a DGS, emitida em abril deste ano, «é fundamental garantir a proteção dos profissionais de saúde com equipamentos de proteção individual específicos, de barreira, descartáveis e impermeáveis».

A proteção respiratória com máscara deve também ser sempre cumprida e todos os equipamentos clínicos utilizados, como termómetros, deverão ter uma proteção descartável e ser de uso exclusivo do doente.

Nessa orientação, a DGS especifica os procedimentos para colocar ou remover os EPI, aconselhando sempre que possível a que a remoção seja feita sob a supervisão de outro profissional.

Hoje, a DGS emitiu um comunicado, indicando que está a analisar os EPI que devem ser usados pelos profissionais, bem como o contexto da sua utilização.

Esta análise da DGS acontece depois de, na segunda-feira, ter sido confirmado que uma auxiliar de enfermagem espanhola foi contagiada com o vírus do ébola, naquele que é o primeiro caso de contágio na Europa e fora de África.

Desconhece-se de que forma se deu o contágio, mas a imprensa espanhola tem indicado que o protocolo seguido, assim como a proteção usada pela profissional, possam não ter sido os mais adequados.

O vírus do ébola já matou mais de 3.000 pessoas na África ocidental, havendo, até ao momento, surtos registados na Guiné-Conacri, Libéria, Serra Leoa e Nigéria.