O diretor-geral do Instituto Hidrográfico (IH) defendeu que não há motivo para alarme quanto à situação das pessoas e bens fixados junto à costa, referindo que os fenómenos que ali ocorreram este ano são normais.

«Para já não existe qualquer risco para alarme», frisou o contra-almirante António Silva Ribeiro, esta terça-feira, em declarações à agência Lusa, referindo que «estes fenómenos que ocorrem na costa portuguesa são normais».

O diretor do Instituto Hidrográfico falava à margem do seminário «Obras marítimas e proteção da orla costeira», que decorreu na sede daquela instituição, em Lisboa.

De acordo com o mesmo responsável, «estão a ser tomadas medidas de proteção das populações costeiras, com toda a capacidade tecnológica que existe em Portugal».

Silva Ribeiro assegurou ainda que a época balnear não está em risco, mas admitiu que «não vai ser reposta a situação que havia no final do verão passado», ainda que a situação esteja melhor do que aquilo que se verificava em janeiro, mês em que ocorreram fortes tempestades no país.

O comandante António Santos Martinho, chefe da divisão de Oceanografia do IH, explicou à Lusa que no inverno «ocorreu uma série de eventos de tempestade, num curto espaço de tempo, o que fez com que a linha de costa não pudesse recuperar».

«Acresce que ocorreram algumas tempestades com características especiais, não em termos da sua intensidade ou da agitação marítima, mas em termos de comprimento de onda, o que fez com que essa tempestade chegasse a sítios que normalmente não chega devido ao volume de água transportada em cada onda», exemplificou.

Segundo Santos Martinho, isto aconteceu porque «nuns anos há invernos mais rigorosos, noutros invernos menos rigorosos».

No caso da Costa da Caparica, em Almada, trata-se de uma «praia que está bastante exposta à ondulação predominante», o que originou a diminuição do areal, esclareceu Santos Martinho, referindo que o mesmo aconteceu, por exemplo, na Praia da Aguçadoura, em Póvoa de Varzim, e na Praia do Pedrógão, em Leiria.

Já o contra-almirante José Luís Seabra de Melo, do gabinete do Chefe do Estado-Maior da Armada, abordou a urgência intervenção na orla costeira: «O que se passa é que, por vezes, a urgência da intervenção obriga-nos a fazer obras em que o impacto é pior do que não fazendo nada».

Também no encontro, o professor Francisco Andrade, do Centro de Oceanografia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, defendeu que «a costa não precisa de proteção, o que precisa de proteção é a ocupação humana na costa», de forma a controlar o risco associado à sua presença.