A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, anunciou esta terça-feira o recrutamento de mais 120 inspetores para a Polícia judiciária para «reforçar o combate à criminalidade mais grave e complexa» e preencher as vagas deixadas por aposentações.

«Estamos neste momento em condições de abrir um novo concurso para 120 inspetores estagiários», afirmou Paula Teixeira da Cruz na Conferência «Combate à Corrupção», que está a decorrer nas instalações da Polícia Judiciária, em Lisboa.

O anúncio da ministra da Justiça foi feito no dia em que investigadores da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) da Polícia Judiciária entregaram um abaixo-assinado em que denunciam que os meios de investigação criminal «são dramaticamente escassos» e que a «situação é insustentável».

Confrontada com estas queixas dos investigadores, Paula Teixeira da Cruz referiu que foi anunciando, «mais uma vez», um reforço de meios humanos e de meios materiais para a Polícia Judiciária.

Na conferência, Paula Teixeira da Cruz disse que, no passado dia 01 de dezembro, a Polícia Judiciária foi reforçada com 80 funcionários da área de apoio e ainda este mês vão tomar posse mais 10 funcionários e 73 novos inspetores que terminaram o período de estágio.

Nuno Domingos, presidente da direção regional sul da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC/PJ), explicou, à margem da conferência, que os investigadores criminais decidiram elaborar o documento, que foi assinado por 90% do efetivo de 100 elementos, devido à «falta de meios existentes» na UNCC que é «replicável por toda a Polícia Judiciária».

Questionada sobre se a UNCC tem todos os meios necessários, a ministra da Justiça afirmou que «é impossível ter tudo», mas tem os «meios para agir» e os resultados operacionais comprovam isso.

Perante estas declarações de Paula Teixeira da Cruz, Nuno Domingos disse que «a ministra demonstra que não conhece a realidade, porque a situação atualmente na UNCC é insustentável» tanto a nível de meios humanos como materiais.

A nível de meios humanos, Nuno Domingos deu como exemplo a investigação do «Universo BES» em que «para quatro ou cinco procuradores há um inspetor».

Relativamente ao recrutamento de mais 120 inspetores, o responsável disse que, se o concurso decorrer da mesma forma que o anterior, só tomam posse «já quase em 2020» e «a polícia não consegue sobreviver até essa altura, porque as pessoas atingiram o limite».

«É à conta da abnegação e do sacrifício pessoal que estes resultados têm sido obtidos e não há meios», disse, acrescentando que a média etária dos carros da PJ é de 10,5 anos, têm cerca de 180 mil quilómetros, o que está a pôr em causa a segurança das pessoas.

Sobre a situação apontada pela ASFIC, o diretor-nacional da PJ, José Almeida Rodrigues, respondeu que há um mês tinha informado os inspetores da UNCC de que os meios humanos iriam ser reforçados, como já aconteceu em 2012.

Almeida Rodrigues sublinhou ainda que foram adquiridas 170 viaturas, que representam 20% da frota, 500 computadores e 50 portáteis, que representam um quarto do parque informático.

«Apesar das dificuldades orçamentais, todos os dias estamos a procurar fazer mais alguma coisa, agora se quisermos apenas pegar num pormenor, obviamente que há grandes dificuldades», disse.

«Numa operação de 200 inspetores em que se fizeram buscas por todo o país, houve um carro que avariou, significa que todos os outros funcionaram bem. Estamos a falar de um sindicato que hoje diz que falta isto, amanhã falta aquilo, todos os dias falta uma coisa», observou.

Na conferência estiveram também presentes os ministros da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, Pedro Mota Soares, e da Saúde, Paulo Macedo.