Milhares de motociclistas iniciaram este domingo à tarde concentrações em várias cidades do país, em protesto contra “a farsa das inspeções às motos” e “manipulação da sinistralidade” rodoviária.

Segundo António João, do Grupo de Ação Motociclista (GAM), que organiza a concentração, afluíram ao Rossio, no centro de Lisboa, cerca de três mil motociclistas.

Os motociclistas têm programado um desfile em Lisboa, que terminará na Assembleia da República, onde vão entregar um manifesto.

Além de Lisboa, o protesto reúne centenas de motociclistas no Porto e em Faro, estando ainda previstas concentrações em Coimbra, no Funchal e em Ponta Delgada.

Em Faro, Rui Baltazar, do Grupo de Ação Motociclista (GAM), que promove os protestos em seis cidades do país, acusou o ministro da Administração Interna de "não dizer a verdade" quando invoca questões de segurança para estender também às motos a realização de inspeções periódicas obrigatórias.

É uma medida injusta porque não tem a ver com questões de segurança, mas sim económicas", sublinhou, alegando que só 0,3% dos acidentes envolvendo motos se devem a motivos de segurança e acusando o Governo de querer arrecadar mais receita com esta medida, anunciada em janeiro.

Outra das reivindicações do grupo pretende-se com a intenção do Governo em tornar obrigatória a carta de condução para quem conduzir motociclos de 125 cm3 de cilindrada, mesmo que tenha já carta de automóvel.

Não tem razão de ser, até porque toda a Europa se rege por essa diretiva", observou Rui Baltazar, indicando que, apesar do aumento de acidentes registado em 2016 e 2017, que considera que foi pontual, o número de acidentes com motos "tem vindo a diminuir" desde 2009.

Protestos no Porto

Mais de mil motociclistas iniciaram, pelas 16:00, na avenida dos Aliados, no Porto, um desfile de 10 a 12 quilómetros, numa coluna de “cerca de 150 metros” que deve demorar “duas horas” a concluir o percurso, segundo a PSP.

Este “passeio” vai ser acompanhado por cerca de 25 elementos da polícia, indicou, em declarações à Lusa, António Antunes, subcomissário da Divisão de Trânsito da PSP do Porto.

O desfile vai passar pelas ruas das Carmelitas, Sá da Bandeira, Gonçalo Cristóvão, Praça da República, rua e rotunda da Boavista, rua Júlio Dinis, Palácio de Cristal, Hospital de Santo António e Clérigos, até à avenida dos Aliados, ponto de partida da iniciativa onde, pelas 15:30, estavam concentradas “mais de mil motos e cerca de 1.500 pessoas”, segundo António Antunes.

Também em Faro centenas de motociclistas iniciaram hoje à tarde o protesto organizado pelo GAM.

Neste protesto, os motociclistas contestam “a manipulação dos indicadores de sinistralidade e do respetivo número de vítimas, em prol de ‘lobbies’ económicos” e a proposta de obrigatoriedade das inspeções às motos, “que não vão alterar os índices de sinistralidade", segundo um comunicado dos promotores.

Em janeiro, o ministro da Administração Interna anunciou que as inspeções periódicas a motociclos vão avançar no primeiro semestre de 2018, justificando esta medida com o aumento do número de acidentes mortais com motociclos em 2017.

Fonte do Ministério da Administração Interna disse à agência Lusa que o secretário de Estado da Proteção Civil, José Tavares Neves, vai receber, na terça-feira, a Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP) e a Federação de Motociclismo de Portugal (FMP), após terem pedido uma audiência ao ministro.