O Alentejo é a região do país onde se verifica maior consumo de substâncias aditivas, enquanto a Madeira é a zona com menor consumo, de acordo com um inquérito feito a jovens de 18 anos participantes no Dia da Defesa Nacional.

O estudo foi realizado no âmbito do protocolo estabelecido entre o Ministério da Defesa Nacional e o Ministério da Saúde, através do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).

Os resultados do inquérito não apresentam grandes surpresas, tendo em conta as conclusões de outros estudos sobre os consumos na população juvenil, confirmando maior prevalência de consumo de álcool, seguindo-se o tabaco, as drogas ilícitas – entre as quais se destaca a cannabis – e os tranquilizantes/sedativos sem prescrição médica.

Relativamente à experimentação (prevalência ao longo da vida), 88% referem ter consumido álcool, 62% tabaco, 31% substâncias ilícitas e 7% tranquilizantes/sedativos, enquanto o consumo recente (últimos 12 meses) de álcool foi assumido por 83% dos jovens, o de tabaco por 52%, o de substâncias ilícitas por 24% e o de tranquilizantes por 5%.

A cannabis é a droga mais consumida (23%), embora 7% admitam ter consumido outras substâncias ilícitas.

Nos últimos 30 dias, 65% dos jovens beberam bebidas alcoólicas, 43% fumaram tabaco, 15% consumiram drogas e 3% tranquilizantes, sendo que os consumos são mais expressivos entre rapazes do que entre raparigas, com maior diferença no caso das drogas e menor no caso do álcool e do tabaco.

A nível regional, o estudo destaca que existe maior consumo de álcool e tabaco no Alentejo, de drogas ilícitas no Algarve e tranquilizantes/sedativos sem prescrição médica nos Açores, quer no que respeita à experimentação, ao consumo recente e ao consumo atual.

Tendo em conta a frequência, o consumo é mais ocasional do que frequente, sendo que o tabaco é a substancia aditiva mais consumida (47% fuma diariamente ou quase).

Em termos regionais, a Madeira é a região com menor prevalência de consumo diário de álcool, os Açores de tabaco, o Alentejo de cannabis e o Algarve de tranquilizantes.

Quanto a “comportamentos nocivos”, a embriaguez ligeira foi o mais declarado pelos jovens nos últimos 12 meses: 63% ficaram ligeiramente embriagados, 47% admitiram ter tido consumo “binge” (consumo ocasional excessivo) e 30% embriaguez severa.

No que respeita ao local de residência, o Alentejo surge como a região com maior prevalência deste tipo de comportamentos no último ano, enquanto a Madeira se destaca pela positiva.

Ainda no último ano, 21% dos inquiridos associaram o consumo de mais do que uma substância psicoativa na mesma ocasião, sendo as associações mais comuns as de álcool com bebidas energéticas e de álcool com derivados de cannabis;

Mais uma vez, destaca-se o Alentejo e a Madeira como as regiões onde o policonsumo de substâncias psicoativas na mesma ocasião é maior e menor, respetivamente.

Apenas uma minoria sentiu problemas nos últimos 12 meses decorrentes do consumo de álcool (7%) ou de drogas ilícitas (4%).

O consumo de álcool surge mais associado a problemas relacionados com a condução, com atos de violência ou conduta desordeira e com relações sexuais desprotegidas, enquanto o consumo de drogas ilícitas aparece mais associado a problemas financeiros, comportamentos em casa ou rendimento na escola ou no trabalho.

Quanto ao uso de internet, quase todos os jovens (97%) usam-na para aceder a redes sociais, 54% para jogar e apenas 15% para jogos de apostas, sendo que apenas uma minoria usa internet para estes fins por mais do que quatro horas diárias.

Relativamente às zonas de residência, são os moradores nas regiões Centro, Alentejo e Lisboa que mais usam a Internet para aceder às redes sociais, ao passo que os dos Açores são os que mais a usam para jogar e fazer apostas.

O inquérito teve como população alvo os jovens que completaram 18 anos em 2015 e que foram convocados para o Dia da Defesa Nacional, tendo caracterizado 70.646 jovens em relação a comportamentos aditivos.