O casal português detido por suspeita de conspiração para raptar os filhos foi informado esta quarta-feira pela polícia de Grantham, localidade onde residem, que a investigação foi encerrada por falta de provas, disseram à Lusa os pais.

O documento que receberam explica que, «após consideração», o processo foi abandonado «por insuficiência de provas que garantam uma probabilidade realista de condenação», leu José Pedro por telefone à agência Lusa.

A notícia foi recebida esta quarta-feira juntamente com a mulher, Carla Pedro, durante a audiência agendada na esquadra policial, dois meses após a detenção a 23 de março, durante a qual também foram apreendidos computadores pessoais, telemóveis e documentos de identificação.

José Pedro está convencido que este foi apenas um esquema para evitar o contacto com os filhos de três, cinco, sete, 13 e 14 anos, que estão à guarda dos serviços sociais do condado de Lincolnshire, no leste de Inglaterra, desde abril do ano passado, devido a alegados maus tratos físicos.

«Entretanto, soubemos na segunda-feira pelos filhos mais velhos que os serviços sociais removeram os dois mais novos e não sabemos onde estão. Já informámos a Interpol porque temos medo que tenham sido levados para outro país», afirmou.

O casal tem marcada para a próxima terça-feira uma reunião com os serviços sociais para retomar o contacto com os filhos, feito pela última vez em janeiro e suspenso após a detenção em março.

O casal de portugueses, natural de Almeirim, está também a preparar um pedido de «revisão judicial» para o Supremo Tribunal de Justiça [High Court], pois os pedidos de recurso ao Tribunal de Família foram recusados.

José Pedro mantém ainda esperança na possibilidade de o processo de adoção dos dois filhos mais novos ser suspenso e as cinco crianças serem transferidas para uma instituição, negociada pelo adido Social da embaixada de Portugal em Londres, José António Galaz, e pelo cônsul-geral de Manchester, Carlos Sousa Amaro.

O secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, afirmou a 18 de abril que «os serviços sociais do condado de Lincolnshire aceitaram iniciar o processo administrativo que poderá conduzir a entrega da guarda das crianças a uma instituição portuguesa, na ótica de os cinco irmãos se manterem juntos, que foi a nossa preocupação desde o início».

Mas o progenitor teme que «a embaixada se esteja a deixar enganar pelas autoridades britânicas» porque não vê desenvolvimentos.

«Eu ficava contente que eles fossem para uma instituição em Portugal porque ao menos os mais novos não iam para adoção e ficavam os cinco juntos. Nós vamos ter de lutar por eles», admitiu.

A Lusa contactou a polícia britânica, mas ninguém da corporação esteve disponível para fazer um comentário.