As autoridades identificaram nas redondezas do Hospital S. Francisco de Xavier em Lisboa, pelo menos sete equipamentos potencialmente produtores de aerossóis e onde poderá também ter começado o surto de legionella.

De acordo com o presidente dos Serviços de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH), a maior probabilidade é que o surto tenha origem nas instalações do hospital, mas por precaução a Administração Regional de Saúde (ARS) e o delegado de saúde fizeram o levantamento dos equipamentos potencialmente geradoras de aerossóis para fazer análises.

Em declarações à Lusa, Paulo Correia de Sousa afirmou que a atividade dos SUCH se circunscreveu às instalações do Hospital S. Francisco Xavier, mas que deram “um contributo para ajudar a identificar quais os equipamentos que eram potencialmente produtores de aerossóis”, os únicos que podem levar à transmissão da bactéria.

Surto "não ocorreu por falta de dinheiro para manutenção"

A Associação dos Administradores Hospitalares considera que o surto de legionella no Hospital São Francisco de Xavier, em Lisboa, não terá ocorrido por falta de dinheiro para a manutenção.

Em declarações à agência Lusa, Alexandre Lourenço indicou que o Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental informou já que existe um contrato de manutenção em vigor para os sistemas de refrigeração do hospital de São Francisco de Xavier, onde foram até ao momento diagnosticados 30 casos de doença dos legionários, dos quais dois morreram, um teve alta e os restantes encontram-se internados.

Não será uma questão de falta de recursos financeiros para a manutenção. Existe um contrato de manutenção em vigor e não existiu nenhum percalço com esse contrato. Temos graves dificuldades financeiras nos hospitais, mas nestas áreas existem contratos de manutenção”, afirmou o presidente da Associação dos Administradores Hospitalares.

Manutenção quinzenal das torres era cumprida e última análise foi negativa

O plano de manutenção das torres de arrefecimento do Hospital S. Francisco Xavier implicava análises a cada 15 dias e os últimos resultados estavam todos negativos, disse ainda à Lusa o presidente dos Serviços de utilização Comum dos Hospitais.

Paulo Correia de Sousa afirmou que as torres do hospital eram analisadas a cada 15 dias e que não havia registo de “nenhuma positividade (…) desde a última análise”.

De acordo com o responsável, a última análise tinha sido feita a 16 de outubro, o resultado chegou ao hospital no dia 27 de outubro e era negativo para a presença da bactéria legionella.

“Desde o dia 16 até 29 a 30 de outubro algo se poderá ter passado, se na verdade foram elas as emissoras… nós ainda não temos essa certeza”, afirmou.

Apenas uma das torres de arrefecimento do S. Francisco Xavier está a funcionar

De acordo com o presidente dos SUCH, das quatro torres de arrefecimento do Hospital S. Francisco Xavier, três foram desligadas e uma foi tratada – com coques térmicos e químicos, assim como toda a rede de água -, mas mantém-se ligada pois é necessária para o bom funcionamento da unidade hospitalar.

Pedro Correia de Sousa explicou à Lusa que desde sexta-feira que as equipas destes serviços estão no S. Francisco Xavier a debelar a fonte que julgam ser a origem do surto.

Desde sexta-feira que nos mantemos no hospital a debelar a fonte [do problema], que julgamos ter encontrado, mas as análises têm o seu tempo de cultura e esperamos comprovar isso nos 10 dias de cada análise”, afirmou.

Na sexta-feira, quando houve o alerta de três situações, “encerrámos os equipamentos potencialmente geradores de aerossóis, emissores de gotículas, sem desativar o hospital”, disse o responsável, explicando que das quatro torres de arrefecimento do hospital foram encerradas três (qua ainda se mantêm desligadas) e a outra foi “tratada”, mas, como o bom funcionamento da unidade hospitalar depende dela, ficou a trabalhar.

“As medidas curativas de choque recomendadas são químicas e térmicas e isso fizemos na sexta-feira e sábado durante todo o dia a estas instalações que têm de ficar a trabalhar, assim como a toda a rede de águas”, explicou o responsável dos SUCH, sublinhando que ainda hoje três torres estão desligadas porque não são essenciais para o hospital funcionar, uma vez que trabalham com equipamento de produção de energia.

“Estamos à espera dos resultados das análises feitas antes dos choques térmicos e químicos e depois (na sexta-feira, sábado e segunda-feira). Aliás, eles estão a ser alargados a outras unidades do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental [CHLO] de forma cautelar”, acrescentou.

Esta terça-feira, nos outros hospitais do centro hospitalar – o Egas Moniz e o Santa Cruz – estão equipas dos SUCH a monitorizar pontos e a recolher amostras para análise, “de forma a dar tranquilidade de segurança a quem lá trabalha e a quem precisa de lá ir”, afirmou.

“A nossa segurança é que, se a fonte emissora era nas instalações do hospital, temos a fortíssima garantia de que isolámos o problema a partir de sexta-feira para a frente”, disse o responsável, acrescentando: “Enquanto não tivermos a certeza da fonte emissora não podemos garantir mais do que isto”.

Nas instalações do hospital, se a fonte estava ali ela foi debelada, e a maior probabilidade é que estivesse ali”, sublinhou.

São Francisco Xavier funciona normalmente, só não recebe doentes via INEM

O Hospital São Francisco Xavier está a funcionar normalmente e com todos os serviços abertos, de acordo com fonte da administração.

A mesma fonte refere que não existe qualquer alteração no funcionamento desta unidade de saúde, que pertence ao Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO).

A legionella é uma bactéria responsável pela doença dos legionários, uma pneumonia grave. A infeção transmite-se por via aérea (respiratória), através da inalação de gotículas de água ou por aspiração de água contaminada.

Apesar de grave, a infeção tem tratamento efetivo.