Filipa Madeira deu entrada no Hospital de Bragança, em maio de 2008, em trabalho de parto. Nessa quarta-feira foi sujeita a cesariana e terá contraído uma infeção. Ao fim de seis anos, já foi operada 76 vezes.

Apesar das dores abdominais teve alta quase de imediato. «O médico disse que estava na hora de me ir embora, que aquilo não era nenhum hotel, e que ficava muito caro ao Estado a estadia do utente na cama do hospital», contou à TVI.

Ainda nessa semana, no sábado, voltou ao hospital. «Tiraram-me o útero, fizeram-me uma histerectomia, porque a minha barriga por dentro estava toda podre», explicou Filipa Madeira. Após ter sido feito o diagnóstico de sépsis grave seguiu para o hospital de Santo António, no Porto.

Até hoje, foi sujeita a dezenas de intervenções, 76 no total, e o corpo ilustra bem aquilo por que passou. «Tudo indica que a infeção vem da ferida cirúrgica. Estas cirurgias todas vêm da má prática do hospital de Bragança».

Filipa Madeira não pode trabalhar e não recebe nada do Estado. «A Segurança Social achou que eu não reunia as condições suficientes para a incapacidade. Fui proposta duas vezes para a Junta Médica e eles acharam que eu podia trabalhar, o que não é a opinião do médico».  

Filipa colocou o hospital de Bragança em tribunal, exigindo quase 900 mil euros de indemnização por negligência e incúria do pessoal médico que a assistiu.