Os infantários em Portugal devem melhorar os seus sistemas de ventilação, embora a qualidade do ar destes espaços e a saúde das crianças que os frequentam não sejam uma situação preocupante, revela uma investigação científica.

«Não há impactos graves na saúde das crianças que frequentam os infantários em Portugal. Não temos uma situação catastrófica, mas temos que tentar melhorar o panorama que encontrámos», resumiu à agência Lusa o investigador Nuno Neuparth, da Faculdade de Ciências Médicas, na véspera da apresentação dos resultados finais do projeto «Ambiente e Saúde em Creches e Infantários».

Uma das conclusões é de que uma fraca ventilação dos infantários está associada a uma maior probabilidade de as crianças terem asma ou pieira.

Aliás, os investigadores concluíram que três em cada dez crianças que frequentam infantários têm asma, uma prevalência acima da população em geral, segundo os resultados preliminares que já tinham sido apresentados no início deste ano, após o estudo feito em mais de 40 instituições de Lisboa e Porto.

No âmbito do estudo deduziu-se igualmente que quanto maior o nível de CO2 (dióxido de carbono), maiores as manifestações de asma, como a pieira.

Abrir janelas, arejar espaços ou recorrer a ventilação mecânica são algumas das recomendações dos investigadores para os infantários, sugestões que até outubro serão compiladas num livro.

Trata-se de uma espécie de manual de consulta com recomendações dirigidas a vários grupos: construtores de edifícios, responsáveis de infantários, médicos e pais.

No caso das crianças com episódios de asma ou pieira, a recomendação aos pais passa pela consulta a um médico especialista para decidir ou não a frequência num infantário, bem como definir estratégias de tratamento e prevenção.

O projeto, que juntou Faculdade de Ciências Médicas e Laboratório Nacional de Engenharia Civil, recebeu um financiamento de 180 mil euros da Fundação para a Ciência e Tecnologia.