A investigação ao caso de José Sócrates terá concluído que a mulher do empresário Carlos Santos Silva entregou dinheiro vivo a José Sócrates e que até conhecia a linguagem em código alegadamente utilizada pelos suspeitos para falarem em dinheiro. De acordo com o Ministério Público, em apenas oito meses, Inês do Rosário, que também é arguida no processo, entregou 120 mil euros em dinheiro ao antigo primeiro-ministro. 
 
O Ministério Público diz que foram pelo menos oito as situações em que a mulher do empresário Carlos Santos Silva entregou dinheiro vivo a José Sócrates. Cento e vinte mil euros no total, entregues, de acordo com a investigação, até julho do ano passado. 
 
Em outubro de 2013, José Sócrates é escutado a falar com Carlos Santos Silva, a pedir uma entrega «igual à anterior». O empresário estaria ausente no estrangeiro e decide ligar à mulher e pede-lhe que leve ela própria as «fotocópias» a José Sócrates.
 
Conclui a investigação que Inês do Rosário conhecia os nomes em código que os arguidos usariam para falar em dinheiro e que, nesse caso, terá sido ela própria a levar o envelope ao antigo governante.
 
Diz o inquérito que, por regra, a mulher de Santos Silva entregaria 10 mil euros em notas. Umas vezes diretamente a José Sócrates, outras através do motorista João Perna. Num desses momentos, refere a investigação, a urgência do pedido do ex-primeiro-ministro obrigou Inês do Rosário a levantar 10 mil euros em notas de uma conta pessoal.
 
A última entrega registada pela investigação terá ocorrido a 7 de julho do ano passado. Santos Silva estava fora do país. Sócrates pede-lhe que «deixe alguma coisa à Inês» para que o antigo chefe de Governo pagasse as férias no Sul de Espanha. 
 
Inês do Rosário foi constituída arguida no processo Marquês. Tem a medida de coação mais leve: o termo de identidade e residência.
 
A TVI tentou ouvir a arguida e a defesa que recusam comentar um processo em segredo de justi