O teatro, principal área do programa de apoio sustentado da Direção-Geral das Artes (DGArtes), tem assistido a um aumento do número de receitas, de sessões e de espectadores, segundo o INE, mas falta aprofundar o conhecimento dos públicos.

De acordo com números do Instituto Nacional de Estatística (INE), que dispõe de dados até 2016, desde 2006 deu-se uma subida de 16,9% no número de sessões teatrais pelo país, para um total de 12.788, em 2016, acompanhada por um aumento de 60,5% no número total de espectadores, atingindo os 2,5 milhões, há dois anos, muito acima dos 281 mil registados em 1996.

Também as receitas daquela área alcançaram um máximo, segundo os dados do INE: em 2016 foram 11,5 milhões de euros, mais dez milhões do que os números de há 20 anos.

Na relação de espectadores por mil habitantes, a subida é de escala semelhante: de 147,9, em 2006, passa-se para 241,8, dez anos mais tarde.

No entanto, há oscilações, como, por exemplo, a quebra registada em sessões e receitas em 2012, assim como a diminuição de espectadores no período entre 2011 e 2014, que correspondem a anos do que se chamou o “Programa de Assistência Económica e Financeira” ou da presença da ‘troika’ (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) em Portugal.

A companhia de teatro Palmilha Dentada partia dos valores do INE, numa recente publicação no Facebook, para concluir que, entre 2000 e 2016, praticamente se triplicaram “o número de sessões, [se quadruplicou] o número de espectadores em cada sessão e o número de espectadores por cada mil habitantes e [se quintuplicou] as receitas de bilheteira”.

Porém, nota a companhia num texto assinado pelo encenador Ricardo Alves, assinala-se "uma quebra em todos os dados a acompanhar a quebra de apoios do estado no ano de 2012, confirmando a importante função do apoio público na difusão das artes”.

“Temo que o resultado deste concurso, nos moldes que está, que o mesmo que se venha a repetir este ano com repercussões a muito longo prazo”, referiu o encenador.

No entanto, os números conseguem ficar aquém de todas as explicações possíveis e, como tal, a investigadora Vera Borges realçou à Lusa que “são raras as pesquisas sobre públicos e modos de receção teatral, e as que se vão fazendo trazem, à sua pequena escala, resultados que permitem falar de formas plurais de relação com o teatro: gostar de ver os atores, de fazer teatro, de estar ocupado, contar as suas vivências”.

Assim, a académica sublinha a importância do papel dos públicos enquanto “ativos produtores de sentidos (não necessariamente calculados), [pelo que] importa conhecer os meandros dessa fabricação". "E resgatar o público”.