O peso das crianças na população residente em Portugal caiu para metade em meio século, sendo essa redução mais acentuada nos últimos 30 anos, período em que o país «perdeu» cerca de 936 mil crianças, revelam dados do INE.

«Em 50 anos, a percentagem de crianças na população residente passou de 29,2%, em 1960, para 14,9%, em 2011, ano em que residiam em Portugal 1.572.329 crianças», adiantam os dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para assinalar o Dia Mundial da Criança, que se comemora no domingo.

Esta diminuição foi «mais evidente» a partir da década de 80, refere o INE, precisando que, entre 1981 e 2011, registaram-se menos cerca de 936 mil crianças, representando uma quebra de 37,3%.

«Consequentemente, o peso das crianças na população tem vindo a recuar de forma acentuada, tendo em conta que, nos últimos 30 anos, a população total aumentou», observa.

A diminuição da população infantil incidiu em todos os grupos etários entre os zero e os 14 anos, sendo de 39% no grupo das crianças até aos nove anos e de 34% no grupo etário 10-14.

Estes números são justificados pelo INE com a quebra da natalidade: em 2013, o número de nados vivos de mães residentes em Portugal foi de 82.787, o valor mais baixo desde que há registos e que representa menos 7,9% do que em 2012.

De acordo com os cenários da população residente elaborados pelo instituto para o período 2012-2060, o número de crianças em Portugal poderá sofrer uma quebra que variará entre 25% e 62%, sendo da ordem de 36% no cenário central.

Os dados, baseados nos resultados dos Censos 2001, referem também que nascem mais meninos do que meninas, respetivamente, 51,1% e 48,9% em 2011.

No total da população verifica-se uma distribuição inversa, uma vez que a percentagem de mulheres (52,2%) era superior à dos homens (47,8%), o que se deve à maior esperança de vida das mulheres.

Nos últimos 50 anos, a taxa de mortalidade infantil «reduziu-se drasticamente», situando-se em 2,95 óbitos de crianças com menos de um ano por mil nados vivos em 2013 - em 1960 este valor era de 77,5 -, colocando «Portugal no grupo de países do mundo em que este indicador atinge os valores mais baixos».

Sobre o número de crianças estrangeiras em Portugal, o INE refere que totalizavam 49.994 em 2011, representando cerca de 3,2% do total.

A sua distribuição por nacionalidades acompanhava, de um modo geral, o peso das comunidades estrangeiras residentes em Portugal: 30,1% de origem brasileira e 9,1% de origem ucraniana, seguindo-se as de origem cabo-verdiana e romena, ambas com 8,0%, e angolana, com 5,5%.

Segundo os dados, «cerca de 28% das crianças com nacionalidade estrangeira (13.983 crianças) tem naturalidade portuguesa, facto relacionado com as características demográficas da população estrangeira, mais jovem e com índices de fecundidade mais elevados».

Observam que é na comunidade chinesa que se verifica a percentagem mais elevada de crianças com naturalidade portuguesa (58,8%), seguindo-se a ucraniana (41,6%), a angolana (33,2%) e a romena (30,3%).

Já 1,9% das crianças com nacionalidade portuguesa nasceu fora de Portugal (29.251). Suíça, com 16,4%, e França, com 14,6%, eram os países mais representados, seguidos do Reino Unido, Brasil e Alemanha.

«Estes indicadores sugerem uma relação entre a naturalidade das crianças e os tradicionais destinos de emigração da população portuguesa», adianta o INE.