Portugueses residentes em Jacarta mostram-se pouco surpreendidos com os ataques desta quinta-feira no centro da capital indonésia, que fizeram sete mortos, mas tencionam tomar precauções adicionais, evitando centros comerciais.

Samantha Sobutka, luso-brasileira que vive perto do local onde aconteceram os atentados, disse à Lusa que quando ouviu as explosões pensou que fosse "trovoada ou trabalhos para demolir algum prédio, porque há muitas obras" na área.

"Fiquei um bocado assustada, nós achamos que [estas situações] nunca nos acontecem", afirmou, acrescentando que nos próximos dias não vai visitar centros comerciais, cafés ou restaurantes.


A luso-brasileira, que não tinha acesso visual à avenida onde aconteceram as explosões a partir da sua residência, contou que, ao longo do dia, viu carros da polícia a bloquear a zona e ouviu sirenes e muitos helicópteros.

"Nunca achei esta cidade violenta (...). Agora estou assustada pelo facto de ser terrorismo", confessou, mas garantindo que apesar do medo vai "procurar fazer uma vida normal".

Maria João Gomes, que vive no sul de Jacarta disse à Lusa que não ficou surpreendida, considerando que os autores destes ataques queriam fazer algo parecido com os atentados ocorridos a 13 de novembro em Paris, que fizeram 130 mortos.

"Claro que vai criar-se uma guerra mundial", disse, acusando os terroristas de quererem "instaurar a insegurança" em todo o mundo e lembrando medidas de segurança tomadas recentemente em outros pontos do globo, afirmou.


Maria João Gomes tenciona fazer uma vida normal, embora reconheça que "para quem tem miúdos pequenos, é uma fonte de preocupação" e considere que a zona onde vive é um alvo fácil, devido à forte presença de estrangeiros.

"Todas as pessoas estão a pensar que depois disto elas vão ser atacadas", vincou a portuguesa, defendendo, no entanto, que será necessário não ceder ao medo, mas levar uma vida que não passe por locais, como centros comerciais.

Pedro Almendra também já viveu na área onde ocorreram os atentados, "uma zona calma e com muita gente", mas desde que foi pai, a família decidiu mudar-se para os arredores da capital indonésia.

"Hoje já nada me surpreende. Temos de estar um pouco preparados, porque isso pode acontecer em qualquer lado", referiu, entendendo, no entanto, que os centros comerciais e locais com maior afluência de pessoas são os alvos preferenciais.


Para Pedro Almendra, na Indonésia - um arquipélago com mais de 17.000 ilhas, cerca de 8.000 das quais habitadas e 255 milhões de pessoas, sendo o mais populoso país muçulmano do mundo - algumas medidas de segurança, como por exemplo "o controlo das fronteiras", não funcionam tão bem como na Europa.

O português, diretor do portal Surf Total, vai "estar mais por casa" depois disto, mas recusou dramatizar, justificando que "o medo é o pior inimigo".

Luísa Valença, uma portuguesa que vive em Bogor, uma cidade perto de Jacarta, também não foi apanhada de surpresa, porque um dos alunos das suas aulas de equitação, com ligações às autoridades policiais, tinha-a avisado em novembro passado para a possibilidade de ataques.

"Hoje em dia já nada me surpreende, porque estas coisas acontecem em sítios em que não se está a espera", disse, confessando que há umas semanas considerava que este tipo de ataques era mais fácil de acontecer na Europa.


Pelo menos sete pessoas - cinco atacantes e dois civis - morreram em Jacarta em vários ataques terroristas, múltiplas explosões seguidas de tiroteios, sobretudo na zona comercial da capital.

A polícia indonésia afirmou que uma organização local, com ligações ao grupo extremista Estado Islâmico (EI), é a principal suspeita de ter perpetrado os atentados terroristas em Jacarta.

"Existe uma forte suspeita de que se trata de um grupo indonésio com ligações ao EI (...) este grupo seguiu o padrão dos atentados de Paris", em novembro, disse o porta-voz da polícia Anton Charliyan.

O ataque de hoje ocorreu numa altura em que a Indonésia continua em estado de alerta máximo, imposto no Natal e Ano Novo, por temer atentados terroristas.