Sete toneladas de droga, avaliadas em mais de 55 milhões de euros, foram esta quinta-feira queimadas nos fornos da Valorsul, em São João da Talha, Loures, perante um forte dispositivo de segurança da Polícia Judiciária (PJ).

Os produtos estupefacientes foram transportados em duas carrinhas da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) da PJ, que chegaram cerca das 11:00 às instalações da Valorsul escoltadas por vários carros e motas da polícia.

Toda a operação foi acompanhada por vários elementos da Polícia Judiciária, equipados com coletes à prova de bala e munidos de armas.

Outros agentes da PJ colocavam nos contentores da Valorsul os estupefacientes, distribuídos por dezenas de sacos cinzentos, que eram transportados por uma grua até aos fornos, onde foram queimados a uma temperatura de 900 graus.

A grande maioria da droga incinerada hoje era haxixe (seis toneladas), disse à agência Lusa a coordenadora da Polícia Judiciária Rosa Mota.

Foram ainda queimados 500 quilos de cocaína, 70 quilos de liamba e ¿variados tipos de droga¿, que foram apreendidos em várias operações policiais, adiantou Rosa Mota.

A coordenadora da PJ não precisou o valor da droga queimada, mas adiantou que o preço por quilo de haxixe ronda os 5.000 euros e o da cocaína cerca de 50.000 euros.

Segundo Rosa Mota, a Polícia Judiciária já fez diversas incinerações de droga este ano por ordem judicial.

Para a empresa responsável pela valorização e tratamento de resíduos urbanos produzidos em 19 municípios da grande Lisboa e da região Oeste, esta operação é mais uma queima de lixo.

«Para nós, droga é lixo», disse à Lusa a diretora de comunicação da Valorsul, Ana Loureiro, adiantando que os estupefacientes são acolhidos como ¿as duas mil toneladas de lixo¿ que a empresa recebe diariamente da sua área de intervenção.

«A única diferença é que é uma destruição e vai diretamente ao forno, não é colocado na fossa¿, disse, comentando que ¿é uma carga pequena face às duas mil toneladas [de lixo]¿ que são incineradas diariamente e ¿sem qualquer risco para a saúde pública».

Ana Loureiro explicou que estes resíduos são encaminhados para os fornos, onde se processa a queima a uma temperatura de cerca de 900 graus.

«Depois desta queima, os resíduos são transformados em escórias, que são as cinzas pesadas que ficam no fundo do forno, e nós ainda vamos extrair o metal para reciclar e usamos os inertes para cobertura do aterro e para sub-bases de estradas», adiantou.