A Unidade de Missão para a Valorização do Interior (UMVI) “não tinha condições”, nem meios, para assumir a responsabilidade na recuperação das zonas afetadas pelos fogos de outubro, afirmou esta terça-feira o coordenador deste grupo de trabalho.

Incumbida de criar, implementar e supervisionar o Programa Nacional para a Coesão Territorial (PNCT), a UMVC ganhou mais competências após o incêndio de Pedrogão Grande, com o Programa de Revitalização do Pinhal Interior (PRPI), que integra sete concelhos afetados pelo fogo de 17 de junho, designadamente Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Penela e Sertã.

Com esta dupla vertente não tínhamos condições para assumir mais responsabilidades”, disse João Paulo Catarino, no âmbito de uma audição no Parlamento, requerida pelo CDS-PP.

O coordenador da UMVI apontou ainda a falta de meios para assumir essa responsabilidade, apesar de o grupo de trabalho ter mais quatro técnicos a tempo inteiro.

Sobre o PRPI, o responsável disse que “vai responder bem” às necessidades dos sete concelhos afetados pelo incêndio de Pedrógão Grande, considerando que esta realidade é diferente das áreas ardidas em outubro, já que a região que sofreu com o fogo de 17 de junho tem “uma estrutura técnica muito frágil”, devido ao momento de pré-campanha eleitoral.

“Espero que o despacho para alteração da sede da UMVI para Pedrógão Grande não tenha sido ditado por uma circunstância eleitoral”, disse o deputado do PSD Maurício Marques, considerando que o PRPI é “um pouco redutor” por se destinar apenas a sete concelhos.

Já o deputado social-democrata Álvaro Batista criticou a falta de justiça na atribuição dos apoios após os incêndios, advogando que há “cidadãos de primeira, que têm direito a 15 medidas de apoio, e cidadãos de quinta categoria, que têm direito a zero medidas de apoio”.

Se os senhores até agora não foram capazes de fazer nada, agora com mais competências e sem mais meios...”, apontou.

Questionado pela deputada do CDS-PP Patrícia Fonseca sobre o apoio político, João Paulo Catarino garantiu que “nunca” sentiu falta dele, explicando que, a partir dos incêndios de junho, o primeiro-ministro, António Costa, tem acompanhado estas matérias “quase diariamente”.

Os incêndios que deflagraram na zona de Pedrógão Grande, distrito de Leiria, e Góis, distrito de Coimbra, a 17 de junho, provocaram 66 mortos: a contabilização oficial assinalou 64 vítimas mortais, mas houve ainda registo de uma mulher que morreu atropelada ao fugir das chamas e uma outra que estava internada desde então, em Coimbra, morreu na quarta-feira.

Do incêndio resultaram ainda mais de 250 feridos.

Já as centenas de incêndios que deflagraram no dia 15 de outubro, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 45 mortos e dezenas de feridos. Esta foi a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande.

Estas duas situações com os restantes fogos que deflagraram este ano contabilizam, pelo menos, 116 vítimas mortais em incêndios florestais.