Ardeu cerca de 75% a 80% do concelho de Mação. O balanço foi feito pelo presidente da câmara que assume que a situação está longe de estar controlada embora, a esta hora, não haja habitações em risco. Vaso Estrela pede mais ajudas e apoios do Estado à semelhança de outros concelhos, como Pedrogão Grande.

Os jornalistas no local, o munícipe fez um balanço da área ardida. São cerca de 10 mil hectares, a somar aos 18 mil hectares do incêndio de há três semanas. “Uma área incrível ardida, cerca de dois terços do concelho. Temos o concelho completamente destruído.”

E o pior pode não ter passado.

Estamos todos ainda muito preocupados com algumas zonas que vão, provavelmente, dar trabalho durante a tarde e ainda constituem risco, nomeadamente na zona de Ortiga, Vale de Abelha, Chão de Lopes, Monte Negro e Ribeira de Boas Eiras”

Uma preocupação, sobretudo, devido ao agravamento das condições climatéricas a partir das duas da tarde, que favorecem os incêndios.

“Não podemos dizer, longe disso, que já estamos seguros”, acrescenta.

Sobre a situação dos homens no terreno, Vasco Estrela refere que estão há horas no terreno e “é evidente o esforço, por isso a minha palavra de agradecimento. E também à população do concelho de Mação que, em muitos locais sozinhos, defenderam os seus bens e habitações.” Mas deixa transparecer uma crítica à gestão de meios que “por vezes não é muito fácil de compreender”, no que toca “à demora na chegada dos meios e reforços pedidos.”

Depois da noite dramática, em que Mação esteve rodeado pelas chamas, o munícipe assegura que no momento não há indicação de populações em risco. Apesar de ainda haver pessoas fora das suas casas, só cerca de um terço das pessoas é que já regressaram às suas habitações.

Sobre o futuro, Vasco Estrela nada sabe, em matérias de apoios para quem perdeu tudo, ou quase tudo, mas garante que “estão a trabalhar sobre essa matéria no incêndio anterior. Há levantamentos feitos, foram disponibilizados todos os dados e as pessoas estão à espera de resposta no que diz respeito à reposição na parte agrícola”. Já no que toca às casas de primeiras habitações, que ficaram degradadas, “temos os processos a correr (…) e há o compromisso de verbas.”

Mas o presidente chama a atenção para “um concelho destruído que importa que, de uma vez por todas seja reconhecido. Pedimos o estatuto de calamidade pública, só, relativamente ao outro incêndio. Pedimos os apoios à CCDR e ao sr. Ministro do Planeamento, equiparados aos de Pedrogão. Aguardamos.”

“Se se justificava há duas semanas esses apoios e estatuto, agora ninguém em Portugal poderá deixar de reconhecer que Mação tem uma situação perfeitamente excecional.”

“Só em Mação ardeu mais que em Pedrogão. Infelizmente Pedrogão teve uma tragédia que não de pode comparar, naquilo que é mais sagrado para todos, mas sobre o resto Mação lidera pelos piores motivos.”

Já incêndio que lavra no concelho de Vila de Rei, em Castelo Branco, foi dominado hoje, pelas 11:00, disse à Lusa fonte da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), indicando que o risco de reativações não está completamente eliminado.

“Este incêndio tem um perímetro muito vasto, havia muitos pontos quentes para garantir que não reativavam e, ainda assim, o risco não está completamente eliminado, portanto só hoje às 11:00 é que o responsável por este teatro de operações, o comandante das operações de socorro é que considerou o incêndio como em resolução, dominado”, declarou a adjunta de operações da ANPC, Patrícia Gaspar.