O comandante da Autoridade Nacional de Proteção de Proteção Civil (ANPC) considerou esta terça-feira “excessivo” o número de ocorrências de incêndios florestais, tendo em conta a área do território nacional, e destacou “a resposta notável” do dispositivo de combate.

Numa conferência de imprensa para balanço da fase “Charlie” do Disposto Especial de Combate a Incêndios Florestais, que começou a 1 de julho e termina a 30 de setembro, o comandante operacional nacional, José Manuel Moura, adiantou que o número de ocorrências de fogo está próximo da média dos últimos dez anos, tendo ocorrido 14.374 incêndios, desde o início do ano.

Já a área ardida, sublinhou José Manuel Moura, está este ano 35% “abaixo da média do decénio”, tendo as chamas consumido, até 31 de agosto, 53.915 hectares.

Segundo o comandante, a média anual do decénio do número de ocorrências é 14.788, enquanto a média da área ardida se situa em 82.967 hectares.

José Manuel Moura justificou a comparação com os últimos dez anos e não com 2014, uma vez que, no ano passado, se registaram os valores mais baixos desde que há registo de incêndios florestais.

O comandante disse também que este ano se registaram cinco incêndios com uma duração superior a 24 horas, destacando que a severidade meteorológica tem apresentado os valores mais elevados dos últimos 16 anos.

O mesmo responsável recordou que a severidade meteorológica regista valores superiores aos de 2003, 2005 e 2013, os piores anos em área ardida.

José Manuel Moura apontou como “ponto crítico de todo o problema dos incêndios florestais” o número de ignições que se verificam em Portugal, considerando ser “excessivo para a área do território”.

O comandante fez também um “balanço positivo da fase Charlie” de combate a incêndios florestais, sublinhando que os valores da área ardida resultam da “eficiência do dispositivo”.

“Todos aqueles que são mobilizados para o combate têm tido uma resposta muito significativa com muita competência e só isso tem permitido não termos áreas ardidas similares a anos com severidade como a de este ano”, sustentou.


José Manuel Moura justificou também com a antecipação no combate de um maior número de meios aéreos pesados e a utilização de máquinas de rastos, além do treino operacional dos combatentes.

De acordo com os dados apresentados pela ANPC, julho e agosto registaram este ano valores mais baixos dos últimos dez anos em termos do número de ocorrência e área ardida.

No entanto, a primeira quinzena de agosto registou 26% do total de ocorrências de incêndio deste ano e 40% da área ardida em 2015.


Reparação dos Kamov depende de avaliação de equipa russa


A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) indicou esta terça-feira que desconhece qual o valor da reparação dos três helicópteros Kamov, estando esta dependente da avaliação que vai ser feita por uma equipa russa.

“Não temos a mínima noção (do custo financeiro da reparação) por isso é que vem cá a equipa russa para justificar os valores de uma forma muito detalhada que vierem a ser levantados, porque todas as opções estão em cima da mesa, desde a reparação à não reparação”, disse aos jornalistas o presidente da ANPC, major-general Francisco Grave Pereira.


Numa conferência de imprensa para balanço da fase “Charlie” do Disposto Especial de Combate a Incêndios Florestais, o presidente da ANPC adiantou que a equipa russa deverá chegar a Portugal, durante esta semana, para fazer uma avaliação aos três helicópteros pesados da frota do Estado, devendo esse levantamento estar concluído no final do mês de setembro.

Em causa está a reparação do Kamov que sofreu um acidente há dois anos durante o combate a um incêndio e dos outros dois helicópteros inoperacionais que, apesar de estarem previstos, não integraram o dispositivo deste ano.

O presidente da ANPC sublinhou que os três Kamov estão em condições de serem reparados, existindo, porém, “a questão financeira associada a essa reparação”. Francisco Grave Pereira afirmou que a reparação será decidida “em função do que for apurado desse levantamento, que é de grande detalhe”.

Dos 49 meios aéreos previstos para a fase mais crítica em fogos, que termina a 30 de setembro, fazem parte do dispositivo de combate 47 desses meios, faltando dois Kamov.

O presidente da ANPC disse que todo o dispositivo foi reajustado para fazer face a esta ausência de meios aéreos previstos, mas sublinhou que o dispositivo “não é composto apenas por meios aéreos”.

Francisco Grave Pereira disse ainda que o dispositivo “conseguiu acomodar essa lacuna com outras formas de atuação”.

Devido aos problemas dos helicópteros Kamov, detetados durante o processo de transferência para a empresa que ganhou o concurso público de operação e manutenção dos aparelhos para os próximos quatro anos, a ministra da Administração Interna, Anabela Rodrigues, determinou, em junho, à Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI), a abertura de um inquérito.