Os incêndios nos distritos de Santarém, Castelo Branco e Vila Real são aqueles que continuam a merecer mais atenção da parte da Proteção Civil, que registou 203 incêndios florestais na quarta-feira, o dia com mais ocorrências neste ano.

Mais de 2.700 homens estão no terreno, esta quinta-feira, a combater os incêndios pelo país. No total, esta manhã, foram mobilizados 15 meios aéreos para os incêndios nos distritos de Santarém, Vila Real e Castelo Branco. Foi elevado para laranja o estado de alerta.

“Durante o dia de ontem [quarta-feira], Portugal registou um total de 203 incêndios florestais. Foi o dia, desde 01 de janeiro, com maior número de incêndios por dia. Desde as 00:00 de hoje registamos já um total de 59 incêndios, sendo que destes estão em curso sete”, disse Patrícia Gaspar, da Proteção Civil, durante o ´briefing` operacional das 12:00.

“Destes sete incêndios, a nossa atenção vai em especial para quatro ocorrências: o incêndio de Unhais da Serra, na Covilhã, distrito de Castelo Branco, o incêndio de Paredes, no distrito de Vila Real, que tem neste momento cerca de 19 horas, o incêndio de Santarém, em Abrantes, e o incêndio de Boticas, Vila Real, que se iniciou já durante o dia de hoje, com uma hora de duração neste momento”, acrescentou a adjunta nacional de operações da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

Abrantes, distrito de Santarém, é o incêndio que concentra mais meios: 511 bombeiros, apoiados por 166 viaturas e sete meios aéreos. Este fogo rapidamente tomou "proporções avassaladoras", segundo a presidente da câmara, e estava ao início da tarde a ameaçar quatro povoações

A presidente da Câmara revelou que já foi contactada por membros do Governo, nomeadamente da Administração Interna, e que recebeu um telefonema do Presidente da República.

Vila Real: ativado plano municipal de emergência

Na serra do Alvão, concelho de Vila Real, mais de 429 operacionais, com 123 veículos e quatro meios aéreos, garantiam, esta manhã, o combate às chamas. 

Foi ativado o plano municipal de emergência da Proteção Civil. Este fogo já feriu cinco bombeiros e um civil, tendo obrigado ontem a equipa da TVI a refugiar-se numa casa.

Pela hora do almoço, o presidente da Câmara de Vila Real disse que a situação "melhorou significativamente", mas ressalvou que os meios vão continuar espalhados pelo terreno para evitar reacendimentos.

"As condições melhoraram significativamente (…), mas ainda temos uma frente ativa e à medida que o dia vai avançando as temperaturas vão aumentando", declarou Rui Santos aos jornalistas.

O autarca afirmou ter receio de que possam ocorrer reacendimentos nas zonas por onde já passou o fogo e que as coisas se possam "complicar de um momento para o outro". O grande inimigo no combate a este incêndio, que deflagrou às 16:27 de quarta-feira, na zona de Paredes, tem sido o vento muito forte.

Apelo a muita atenção por parte da população, quer para este incêndio em concreto, quer para outros focos de incêndio que possam surgir nos próximos dias, porque o nosso território tem muita área florestal e todos somos poucos para prevenir situações como a que aconteceu no dia de ontem".

Unhais da Serra: vento e difíceis acessos complicam

Outro fogo que concentra as atenções é o de Unhais da Serra, na Covilhã. Estão no terreno 194 bombeiros, 55 veículos e sete meios aéreos. O vento forte e as características do terreno têm dificultado o trabalho dos bombeiros.

O vento muito forte e a orografia essencialmente montanhosa do terreno têm sido os principais inimigos do combate e o grande aliado deste fogo, que não nos tem dado descanso", disse o presidente da câmara, Vítor Pereira.

Este fogo reativou na terça-feira e chegou novamente a estar dominado, mas na quarta-feira à noite voltou a reativar.

Segundo a adjunta nacional de operações da ANPC, Patrícia Gaspar, o fogo "está numa zona com um declive muito acentuado, com muitas pedras, o que dificulta imenso o progresso dos meios no terreno".

Mais de 50 concelhos de 11 distritos em risco máximo

Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), em risco máximo de incêndio estão mais de 50 concelhos de Faro, Beja, Santarém, Aveiro, Leiria, Castelo Branco, Portalegre, Guarda, Bragança, Vila Real e Viseu.

O IPMA colocou ainda vários concelhos dos 18 distritos de Portugal continental em risco elevado e muito elevado. Recorde-se que o risco de incêndio determinado pelo IPMA engloba cinco níveis, que podem variar entre o "reduzido" e o "máximo".

Às 06:00, a Autoridade Nacional de Proteção Civil dava conta de 31 incêndios, cinco em curso, três em resolução e 23 em fase de conclusão.