Quase 6.000 homens estavam ao início da manhã no terreno a combater incêndios em todo o país, apoiados por cerca de 1.800 veículos. Segundo os dados disponíveis às 12:00 na página da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC), são 16 os incêndios mais importantes e o que mais meios mobiliza, com 645 operacionais, é o que lavra desde o início da manhã de domingo na freguesia de Lousã e Vilarinho, na Lousã (Coimbra).

O incêndio que lavra na Lousã tem duas frentes e obrigou a ativar os planos distrital de emergência de Coimbra e municipal da Lousã. Os homens no terreno estão apoiados por 192 veículos

O fogo que começou ao início da tarde de domingo em Pataias e Martingança, em Alcobaça (Leiria) alastrou a outros municípios, obrigando, por exemplo, a encerrar escolas em Vieira de Leiria, no concelho de Marinha Grande.

Este incêndio, que estava a ser combatido por 360 bombeiros, apoiados por 113 veículos, obrigou a ativar o Plano Distrital de Emergência de Leiria e o Plano Municipal de Emergência de Alcobaça.

Também a preocupar os bombeiros são os incêndios do Sabugueiro, em Seia (Guarda), que lavra em quatro frentes e mobiliza 288 operacionais e 89 veículos, e o fogo que deflagrou no início da manhã de domingo em Macieira de Cambra, Vale de Cambra (Aveiro), que está a ser combatido por 295 bombeiros, apoiados por 94 veículos.

Também no domingo, a meio do dia, deflagrou o incêndio que lavra em duas frentes na freguesia de Ermida e Figueiredo, na Sertã (Castelo Branco) e está a ser combatido por 225 homens, apoiados por 72 veículos.

Com mais de uma centena de bombeiros no terreno cada, lavram ainda os incêndios de Sandomil, no concelho de Seia (Guarda), que tem quatro frentes ativas e obrigou ao corte da Estrada nacional 17, e o que começou na localidade de Merufe, Monção (Viana do Castelo), que tem duas frentes ativas e obrigou ao corte da Estrada Municipal entre Longos Vales para Merufe.

Também mobilizavam ao início da manhã mais de uma centena de bombeiros cada os fogos de Arganil (Coimbra), que obrigou a ativar o Plano Distrital de Emergência de Coimbra, o de São Mamede, na Batalha (Leiria), que deflagrou no domingo à noite, e o de Campia, em Vouzela (Viseu), ativo em três frentes.

Centenas de incêndios deflagraram domingo, já considerado pela Proteção Civil como "o pior dia do ano em matéria de incêndios", causando pelo menos 31 mortos, dezenas de feridos, povoações evacuadas e casas destruídas.

No domingo, o balanço oficial feito durante a madrugada dava conta de seis mortos: duas pessoas morreram em Penacova (distrito de Coimbra), uma na Sertã (distrito de Castelo Branco) e duas em Oliveira do Hospital. Uma sexta vítima mortal foi registada em Nelas (Viseu), tratando-se de uma pessoa que estava dada como desaparecida.

Segundo a Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC), o alerta vermelho vai manter-se até às 20:00 de hoje, apesar das previsões de chuva.

 

Situação em Braga a “evoluir favoravelmente” 

Os incêndios que deflagraram no sábado e no domingo de madrugada no concelho de Braga estão a “evoluir favoravelmente", disse à Lusa fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS).

"Felizmente, [a situação] está a evoluir favoravelmente. Os focos que causaram maior preocupação já estão ou em fase de resolução ou extintos", disse.

A fonte salientou ainda que "não há feridos nem mortos a registar".

Na madrugada de domingo, a zona da Falperra, junto aos santuários dos Bom Jesus e do Sameiro, foi a que mais preocupações geraram aos operacionais, havendo o registo de casas queimadas e de áreas habitacionais evacuadas. O mesmo sucedeu com um hotel e algumas estradas foram cortadas.

Segundo fonte nos Bombeiros Sapadores de Braga, "uma das frentes no Sameiro chegou a ter quatro quilómetros".

 

Situação controlada em Monção

O incêndio que deflagrou às 20:21 de sábado no concelho de Monção, distrito de Viana do Castelo, foi controlado às 08:20 desta segunda-feira, disse à Lusa o comandante dos Bombeiros Voluntários.

Segundo José Passos, continuam no terreno 82 homens, envolvidos nas operações de rescaldo.

O responsável acrescentou que os idosos retirados durante o dia de domingo dos lares de Barbeita e Merufe "começam a regressar" àquelas estruturas.

Devido a este incêndio, dezenas de idosos foram retirados dos lares e transportados para o pavilhão municipal de Monção.

O lar de idosos de Podame, cuja evacuação chegou a ser equacionada, não chegou a concretizar-se.

José Passos adiantou que "os serviços camarários vão começar a fazer o levantamento da área ardida e dos bens afetados, limpeza de vias e outros trabalhos de recuperação de áreas afetadas pelas chamas".

No combate às chamas "quatro bombeiros sofreram ferimentos ligeiros".

Questionado sobre as causas do incêndio José Passos afirmou: "Três focos de incêndio, em simultâneo, em locais distintos, no alto da serra. Não é por mero acaso".