Um grupo de técnicos e investigadores lançou uma petição, que já foi subscrita por cerca de 600, que alerta para a necessidade urgente de criar um corpo de bombeiros florestais e de apostar na prevenção.

A petição sobre a gestão do fogo foi lançada por um grupo de técnicos e investigadores, entre os quais o especialista Paulo Fernandes do Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), de Vila Real.

Os autores e os subscritores deste abaixo-assinado defendem a criação de um corpo profissional de bombeiros florestais e a aposta na prevenção dos incêndios.

Desta forma, acreditam, seria possível reunir e desenvolver competências dispersas, aumentar a eficácia dos programas antifogos e diminuir a relação custo benefício do combate às chamas.

Os bombeiros florestais profissionais deveriam reunir e desenvolver competências da Força Especial de Bombeiros, nos sapadores florestais, no Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) da GNR, e Grupo de Análise e Uso do Fogo (GAUF).

Este corpo seria progressivamente expandido, ao mesmo tempo que as corporações de bombeiros voluntários progressivamente se dedicariam a tarefas estritas de proteção civil, aumentando assim a eficácia e diminuindo a relação custo-benefício do combate aos incêndios florestais.

O documento da petição refere ainda que esta surge num momento em que «é amplo o consenso sobre o desequilíbrio existente na repartição dos recursos disponíveis em Portugal para o combate e para a prevenção de incêndios».

Além disso, aponta que «as evidências acumuladas de várias décadas mostram também que o atual modelo e filosofia de combate aos fogos florestais se centra excessivamente na proteção civil descurando a proteção florestal».

Para o investigador Paulo Fernandes, Espanha seria um modelo a seguir. No país vizinho, bombeiros especializados são simultaneamente responsáveis no terreno pelo combate e por medidas de prevenção, como o fogo controlado.

Em Portugal, o especialista evidencia também a «falta de eficácia no combate e na prevenção».

«Ao longo destes anos, a evolução dos resultados das políticas de prevenção e combate a fogos foi muito reduzida. Mas não é forçoso que assim seja porque em 2004 e 2005 a proposta que serviu de base ao Plano Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios sugeria estas e outras medidas estruturais, que poderiam estar já a dar resultados, caso tivessem sido seguidas», salientou.

Oito anos depois, o responsável revelou por exemplo que, na altura da proposta, «o Estado despendia cerca de 35 milhões de euros no combate aos incêndios, valor que, em 2013, mais do que duplicou, sem melhorias visíveis nos resultados alcançados».

Entre as medidas defendidas pelos peticionários, constam ainda a criação de um programa de gestão estratégica de combustíveis para tratar cerca de 5 a 10% do espaço florestal, por ano, com o apoio do corpo de bombeiros florestais profissionais, e a transferência parcial e progressiva das verbas atualmente destinadas ao combate para o mesmo programa de gestão estratégica de combustíveis.

Até hoje assinaram a petição, que será remetida à Assembleia da República, 609 pessoas, como relata a Lusa.