O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses afirmou hoje que a morte de Bernando Figueiredo, ferido no combate ao incêndio na Serra do Caramulo, é «mais um momento dramático» para os bombeiros, mas garantiu que a classe não irá esmorecer.

«É mais um momento dramático para os bombeiros portugueses, doloroso de ultrapassar. Morre um português que deu a sua vida ao serviço do nosso país, da nossa pátria, e isto deixa marcas profundas nos bombeiros portugueses», disse hoje Jaime Marta Soares, em declarações à Lusa.

O bombeiro Bernardo Figueiredo, 23 anos, ficou ferido durante o incêndio na Serra do Caramulo na passada quinta-feira e morreu hoje de madrugada, passando assim para quatro as mortes em combate registadas este ano.

Apesar de as mortes de bombeiros em serviço serem situações «muito difíceis, muito críticas», o presidente da LPB garante que a moral dos bombeiros irá manter-se «forte e firme para continuar a manter o espírito de afirmação valores de solidariedade e de humanismo».

«Não nos deixaremos soçobrar perante a desgraça, mas que deixa marcas muito profundas, isso deixa», sublinhou.

Jaime Marta Soares admitiu, no entanto, que a morte dos bombeiros em combate não poderia ter sido evitada, explicando que «o inimigo é traiçoeiro».

«Os bombeiros têm uma preocupação muito grande de debelar e combater o inimigo, mas este inimigo é muito forte, é traiçoeiro e tem todas as armas à sua disposição, mesmo a negligência da floresta», referiu.

Jaime Marta Soares sublinhou que os incêndios contam com causas como o «clima extremamente alterado» e os fogos postos.

O número crescente de ignições «é uma coisa inacreditável», disse, referindo que «chega a haver 300 incêndios ao mesmo tempo, chegam a ser lançados fogos seguidos, cinco, dez, quinze, num raio de 20/30 quilómetros».

Perante esta situação, que considera «terrorista», o presidente da LPB defendeu que ninguém deve duvidar de que «são fogos criminosos» e adiantou que «por muita competência que haja, por muito profissionalismo que haja - e há -, há situações em que o fogo tem mais força que o ser humano».

Jaime Marta Soares lembrou os bombeiros que morreram em combate tinham conhecimento do perigo que corriam «pela formação que recebem» e sublinhou que «os jovens desta equipa [Bernardo Figueiredo e Ana Rita Pereira, os dois bombeiros que morreram no fogo do Caramulo]eram comandados por um dos melhores formadores de combate aos fogos florestais que temos em Portugal».

«Era um grupo devidamente enquadrado, devidamente comandado por quem tem profundos conhecimentos», disse.

Comandante diz que bombeiro tinha formação «acima da média»

O comandante dos Bombeiros Voluntários do Estoril disse à Lusa que Bernardo Figueiredo tinha uma formação «muito acima da média» no combate a incêndios florestais.

«Era uma pessoa que estava preparada em termos de formação, fisicamente [estava] extremamente apto. Uma pessoa com um nível operacional muito acima da média», afirmou hoje Carlos Coelho.

O comandante referiu que Bernardo, de 23 anos e que estava no corpo de bombeiros dos Voluntários do Estoril há cinco anos, «fez o seu percurso como recruta na escola para bombeiro de 3.ª».

«Após isso fez uma formação diferenciada, nomeadamente de grupos de 1.ª intervenção de combate a incêndios florestais», disse.

Bernardo Figueiredo ficou ferido durante o incêndio na Serra do Caramulo na passada quinta-feira. O bombeiro acabou por morrer esta madrugada no Hospital de São João, no Porto, onde estava internado.

No mesmo incêndio morreu uma outra bombeira, Ana Rita Pereira, de 24 anos, dos Bombeiros Voluntários de Alcabideche.

«Infelizmente não foi possível evitar as mortes da Rita e do Bernardo», lamentou Carlos Coelho.

Isto porque, «infelizmente, o comportamento do fogo não é o comportamento de uma ciência exata».