Patrícia Gaspar, comandante nacional operacional adjunta da Proteção Civil, fez o habitual "briefing" de final do dia sobre o Incêndio de Monchique e referiu que o cenário está "globalmente estabilizado" e que já há pessoas a regressar a casa. 

Apesar de alguns reacendimentos durante a tarde, há sinas de abrandamento e uma zona do perímetro que apenas está sobre vigia para evitar algum reacendimento.

Temos um cenário globalmente estabilizado com várias áreas deste perímetro com operações de monitorização e vigilância, de consolidação e rescaldo. Temos alguns pontos quentes na área do incêndio, tivemos várias reativações, mas tivemos ajuda do avião de apoio para identificação precoce de pontos quentes e de locais de reativação. Tivemos a norte do Silves, uma zona de mais trabalho onde empenhamos mais meios para debelar a situação, que neste momento está estabilizada." 

A comandante adjunta afirma que o fogo está a "ceder", mas não "dominado".

O incêndio está a ceder às operações de combate. Não temos frentes ativas, temos pontos quentes e estamos a responder prontamente. Estamos a consolidar o trabalho feito. O incêndio não está dado como dominado, está ativo ainda". 

Patrícia Gaspar informou também que parte das 299 pessoas deslocadas já estão a regressar a casa e garantiu que continuará o apoio às autarquias no pós-incêndio. O número de feridos também passou de 36 para 39 feridos, sendo apenas um deles grave, dos quais 21 são bombeiros.

Começámos hoje a preparar os regressos a casa. Procurámos fazê-lo de forma ordeira e em segurança. Temos de garantir as condições de segurança para o regresso, os procedimentos estão em curso. Em Silves, as pessoas já regressaram às habitações, não houve danos. Em portimao estamos a desmontar as zonas de apoio, as pessoas estão a regressar às casas."

Para a noite, a comandante espera uma redução da temperatura e menos vento.

Vamos continuar com redução de temperatura, a humidade relativa poderá chegar aos 80 por cento e temos um fator positivo do desagravamento dos ventos, inferiores a 15 km/h, embora possa haver rajadas mais fortes. O risco de incêndio continua elevado, o que faz com que tenhamos de ter cuidados redobrados com tudo o que vai acontecer na noite. Vamso manter todos os meios e ficar atentos." 

O vento é o maior obstáculo e as autoridades temem as "reativações". Por isso, o perímetro está dividido em dois.

As reativações são o nosso grande risco. O vento tem complicado, não podemos descurar nada. Temos o perímetro dividido em dois, com os militares a vigiar, já que conseguem fazer uma primeira intervenção rápida. Depois temos os bombeiros em zonas com pontos quentes e que acarretam mais riscos para agir."

O incêndio rural, combatido por mais de mil operacionais, deflagrou na sexta-feira à tarde em Monchique, no distrito de Faro, e atingiu também o concelho vizinho de Silves, depois de ter afetado, com menor impacto, os municípios de Portimão (no mesmo distrito) e de Odemira (distrito de Beja).

De acordo com o Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais, as chamas já consumiram cerca de 27 mil hectares. Em 2003, um grande incêndio destruiu cerca de 41 mil hectares nos concelhos de Monchique, Portimão, Aljezur e Lagos.

Na terça-feira, ao quinto dia de incêndio, as operações passaram a ter coordenação nacional, na dependência direta do comandante nacional da Proteção Civil, depois de terem estado sob a gestão do comando distrital.