O incêndio que lavra na serra de Monchique, distrito de Faro, já obrigou à deslocação de 110 pessoas, 79 no Algarve e 31 no distrito de Beja. A informação foi divulgada este domingo pelo Comandante da Proteção Civil de Faro, Vítor Vaz Pinto, num balanço divulgado à hora de almoço.

As chamas obrigaram à retirada de 79 pessoas em 10 sítios e lugares no concelho de Monchique (Taipa, Foz Carvalhoso, Ladeira de Cima, Pedra da Negra, Foz do Lavajo, Corjas, Foz do Farelo, Ribeira Grande e Portela da Viúva) e 31 em cinco sítios no concelho de Odemira (Varja do Carvalho, Moitinhas, Barreirinhas, Vale das Hastes e Craveiras).

De acordo com o mesmo responsável, 30 operacionais tiveram de ser assistidos, devido ao calor e à inalação de fumos. 

O comandante explicou que 30% do perímetro foi dominado, mas ainda há duas frentes ativas, uma delas em direção à vila algarvia e sem acesso para meios de combate.

Há uma frente virada a sul, em direção à vila de Monchique, que está sem acessos a meios de combate, quer aéreos, quer terrestres, e outra frente, mais a este, que acompanha a EN266 e que, na sua vertente mais a norte, pode evoluir no sentido de Nave Redonda", sublinhou Vítor Vaz Pinto.

O incêndio, que deflagrou na sexta-feira, estava, às 13:00, a ser combatido por 791 operacionais, com o apoio de 208 viaturas e 12 meios aéreos, segundo a página na internet da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

 

População de Portela do Vento retirada por precaução

Entretanto, durante a tarde, as chamas obrigaram as autoridades a retirar pessoas de uma zona próxima da Portela do Vento, por “precaução”.

A GNR, em cooperação com a Cruz Vermelha e Ação social municipal, iniciou a retirada de um número ainda por determinar de pessoas, que poderiam ficar ameaçadas pela progressão das chamas, precisou a mesma fonte.

Os bombeiros estão a ter o trabalho dificultado pelo relevo acidentado do terreno, com encostas íngremes e vales profundos, pelas elevadas temperaturas e pela baixa humidade.

A zona de Portela do Vento foi onde esteve instalado o posto de comando móvel da Proteção Civil até sábado à tarde, altura em que as autoridades decidiram mudaram a sua localização para junto do centro de meios aéreos de Monchique, próximo do quartel dos Bombeiros Voluntários de Monchique, para precaver a eventualidade do fogo chegar a essa zona.

No sábado, o incêndio obrigou a evacuar quatro localidades e a deslocar cerca de 100 pessoas para “locais de segurança”.

 

Fogo já obrigou a evacuar aldeia em Odemira

O incêndio já atingiu manchas florestais no concelho vizinho de Odemira, Alentejo, onde uma pequena aldeia foi evacuada por precaução, disse à agência Lusa o presidente do município alentejano.

Segundo José Alberto Guerreiro, o fogo "tem andado no limite entre o Algarve e o Alentejo" e queimou "cerca de 30 hectares" na serra de Algares, na Freguesia de S. Teotónio, em Odemira (Beja), contígua à serra de Monchique (Faro).

Como medida de prevenção, no sábado à noite foi evacuada a pequena aldeia de Moitinhas, tendo os cerca de 20 moradores passado a noite no centro sociocultural de Saboia, referiu o autarca.

Hoje de manhã, o fogo estava a cerca e dois quilómetros da aldeia de Moitinhas", relatou José Alberto Guerreiro, indicando que se trata de uma "zona com bastante eucaliptal, mas pouco habitada e com melhores acessos" do que na zona de Monchique.

O autarca avançou ainda que a Proteção Civil deverá instalar um posto de comando no lado do Alentejo, no concelho de Odemira.