A situação continua complicada no Funchal, na Madeira. A gerar maior preocupação está o fogo na zona histórica de São Pedro e também um reacendimento nas Babosas, no Monte. Os incêndios que afetam a Madeira desde segunda-feira já provocaram três mortos, dois feridos graves e evacuações de dois hospitais, lares de idosos e alguns hotéis. 

O Presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, confirmou esta quarta-feira que três pessoas morreram na terça-feira, no Funchal, na sequência dos incêndios que deflagraram no concelho. As vítimas são pessoas idosas que foram "apanhadas pelo fogo". As mortes ocorreram na zona da Pena, na freguesia de Santa Luzia, na travessa Silvestre Quintino de Freitas, sendo moradores de duas das residências atingidas pelo fogo.

Na terça-feira, fonte do Governo regional já tinha adiantado a morte de uma idosa que estava acamada numa das habitações afetadas. A mesma fonte do governo regional adiantou que uma pessoa está dada como desaparecida.

Miguel Albuquerque informou ainda que só nesta terça-feira 327 pessoas deram entrada nos serviços de urgência na região. 

Os incêndios que deflagraram pelas 15:30 de segunda-feira no Funchal provocaram dois feridos graves.

Cerca de mil pessoas foram retiradas de casas e hotéis para vários locais do concelho do Funchal, Madeira, na sequência do fogo que na terça-feira atingiu a zona baixa da cidade, disse esta quarta-feira de madrugada o presidente da autarquia.

“Temos cerca de mil deslocados de casas e hotéis, são residentes e turistas. Cerca de 600 estão no Regimento de Guarnição n.º 3 (Exército), 300 estão no estádio dos Barreiros e 50 no centro cívico de São Martinho”, afirmou à agência Lusa Paulo Cafôfo pelas 03:00, quando se encontrava neste último local e já depois de ter passado pelas instalações do Exército.

Assinalando ser “impossível” fazer, neste momento, a contabilidade do número de edifícios que arderam, porque a preocupação está centrada na “intervenção rápida e eficaz” no combate ao incêndio, Paulo Cafôfo confirmou, contudo, que o emblemático hotel Choupana Hills ardeu.

O autarca adiantou que as pessoas estão a ser acompanhadas com apoio psicológico e por voluntários e, “embora desgostosas com o que se está a passar, estão tranquilas”.

O presidente do maior município da Região Autónoma da Madeira acrescentou àquela hora existirem duas situações a gerar “maior preocupação”, o incêndio no núcleo histórico de São Pedro e um reacendimento nas Babosas, no Monte.

No primeiro caso, Paulo Cafôfo esclareceu que “se se mantiverem as condições meteorológicas, serão necessárias mais duas ou três horas de trabalho”, acreditando que “o pior já passou, mas ainda há o combate ao fogo em alguns edifícios, a que se segue a fase de rescaldo”.

Na zona das Babosas, que “já tinha tido problemas, está com reacendimento e estão a ser deslocados meios para o local”.

A Câmara Municipal do Funchal criou uma conta solidária para apoiar as pessoas afetadas.

Calheta com três frentes de fogo

Esta quarta-feira, cerca de 40 elementos dos bombeiros voluntários locais combatem três frentes de fogo na Calheta, Madeira, que já obrigaram à deslocação de 60 pessoas, registando-se danos materiais em várias habitações e instalações de apoio à agricultura.

“Há dois casos mais graves no Estreito da Calheta e estamos a tentar evitar que o fogo se propague à freguesia seguinte, que é a dos Prazeres. Há já algumas casas afetadas e palheiros e falta de água e de energia em diversas zonas”, disse à Lusa o presidente da Câmara Municipal da Calheta, Carlos Teles.

Os focos de incêndio, além do Estreito da Calheta, localizam-se na própria Calheta e no Arco da Calheta, zonas em que estão “várias viaturas e autotanques”, bem como elementos da PSP, da Guarda Florestal, piquetes camarários e funcionários das juntas de freguesia, estes últimos no sentido de restabelecer o abastecimento de água potável e eletricidade às populações.

“As pessoas que tinham sido retiradas do centro de saúde já estão a regressar porque o perigo passou e há 60 pessoas, 50 das quais estavam no hotel do Estreito da Calheta, que se encontram alojadas agora no pavilhão gimnodesportivo da Escola Básica e Secundaria da Calheta”, acrescentou o autarca.

Fogos na Choupana

Os incêndios estiveram esta quarta-feira muito próximo da Cidade Desportiva do Nacional, na Choupana. Apesar de as chamas não terem ainda desaparecido, o perigo já não é tão iminente, mas os ventos mudam de direção constantemente, o que não tranquiliza em nada o emblema da I Liga portuguesa de futebol.

"Há pouco, as coisas estiveram feias, mas agora as coisas parecem estar mais controladas", disse à agência Lusa Saturnino Sousa, diretor de comunicação do clube madeirense.

 

O Nacional já solicitou à Liga de clubes o adiamento do jogo de domingo, frente ao Desportivo de Chaves, da primeira jornada da I Liga de futebol. O assessor de imprensa do Nacional, Saturnino Sousa, disse que o clube alegou "falta de condições, para a realização do encontro", uma vez que a zona da Choupana, onde se situa a Cidade Desportiva é uma das mais afetadas pelas chamas.

Turistas estão a ser acompanhados

A presidente da Associação de Comércio e Indústria do Funchal, Cristina Pedra, assegurou, em declarações à Lusa, na manhã desta quarta-feira, que todos os turistas que tiveram de ser retirados devido às chamas foram realojados noutras unidades hoteleiras e estão a ser acompanhados. 

“A situação é desoladora e raia a catástrofe. Algumas unidades hoteleiras foram completamente destruídas, sendo a principal pela sua dimensão o Choupana Hill, e outras tiveram de ser evacuadas pela proximidade do fogo”, disse.

No que diz respeito a cancelamentos de viagens para a Madeira, Cristina Pedra disse que não houve nenhum. A responsável afirmou ainda que não têm qualquer indicação de cancelamento de reservas para o futuro próximo.

“A situação é difícil (…), mas não se afigura que esteja em questão qualquer imagem do destino Madeira que tem uma imagem consolidada.”

As chamas deflagraram nas zonas altas do Funchal, em São Roque, pelas 15:30 de segunda-feira e, na terça-feira à noite, o fogo desceu à baixa do Funchal, havendo ainda incêndios a lavrar noutros concelhos da ilha.

As elevadas temperaturas e o vento forte têm estado a dificultar as operações de combate às chamas.

O diretor regional de Florestas da Madeira, Miguel Sequeira, afirmou hoje que a área ardida é de “vários milhares de hectares”, alertando para o perigo de ocorrerem “deslizamentos de aluviões” devido à eliminação do coberto de vegetação das florestas.

Miguel Sequeira disse que ainda “é muito cedo para avançar com um valor” da área florestal ardida, adiantando que são, garantidamente, “centenas de milhares” de hectares afetados.