O ministro da Administração Interna defendeu hoje que as condições climatéricas registadas em agosto passado foram «absolutamente equiparáveis» às de 2003 e 2004, motivando que o combate aos incêndios florestais se processasse em condições extremamente adversas.

Miguel Macedo falava aos jornalistas após ter estado reunido cerca de hora e meia com o secretário-geral do PS, António José Seguro, na Autoridade Nacional de Proteção Civil, em Carnaxide, encontro no qual esteve acompanhado pelo secretário de Estado da Administração Interna, Filipe Lobo d`Avila.

«Na reunião tivemos a oportunidade de demonstrar ao secretário-geral do PS o intenso esforço que o setor da Proteção Civil esteve sujeito ao longo do último mês, recordando os dados que aqui apresentámos: Mais de sete mil ocorrências em agosto; o número de efetivos no combate aos incêndios chegou a ultrapassar mais de dez mil por dia; e verificou-se um número anormalmente elevado de missões aéreas», declarou o ministro da Administração Interna.

Ainda de acordo com o titular da pasta da Administração Interna, o combate aos fogos florestais foi travado «em condições extremamente difíceis, com consequências trágicas do ponto de vista humano».

Na perspetiva do membro do Governo, o ano atual, do ponto de vista climatérico, sobretudo a partir de meados de agosto, «é absolutamente equiparável em relação ao que aconteceu em 2003 e em 2004».

«Nós, que temos bem presente o que aconteceu nesses anos, ficamos assim bem com uma ideia das condições em que se esteve a operar até agora», salientou.

Interrogado sobre os motivos da sua presença na visita do secretário-geral do PS à Autoridade Nacional de Proteção Civil, Miguel Macedo sustentou que esse era o seu "dever" e invocou o estatuto da oposição.

«O líder do maior partido da oposição deve ter acesso à informação relevante. O pior que pode acontecer numa matéria como esta é fazer-se uma discussão não informada sobre os problemas», justificou.

Miguel Macedo disse ainda ter ficado satisfeito pela forma como foi possível facultar ao secretário-geral do PS toda a informação requerida.

No entanto, em matéria de combate aos incêndios florestais, o ministro da Administração Interna advertiu que «ainda há um caminho a percorrer».

«Se tivemos hoje uma trégua do ponto de vista climatérico, isso não significa que os trabalhos que temos pela frente tenham cessado. Temos de continuar concertados no combate», afirmou.

O ministro da Administração Interna manifestou depois total confiança no dispositivo que está montado ao nível nacional no combate aos incêndios florestais.

«É preciso valorizar o trabalho e o risco que muitos bombeiros correram ao longo destes dias muito difíceis do ponto de vista climatérico, que impediu que muitas populações pudessem ter tido danos irremediavelmente dramáticos», acentuou o membro do executivo.

Interrogado sobre a questão orçamental do seu ministério ao nível da verba disponível para o combate aos incêndios, Miguel Macedo referiu que houve recentemente um reforço na ordem de 1,2 milhões de euros para o conjunto dos corpos de bombeiros que mais intensamente estiveram envolvidos em ações de combate.

«Faremos isso sempre que for necessário, com os recursos que se entenderem necessários, para que do ponto de vista operacional isso não falte. Situações de exceção merecem respostas de exceção», advogou o titular da pasta da Administração Interna.