O Ministro da Administração Interna anunciou esta terça-feira no Porto que já foram detidas este ano 27 pessoas suspeitas de fogo posto, afirmando que as forças de segurança têm feito um trabalho com resultados mais visíveis do que em anos anteriores.

Questionado sobre a proposta do presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Soares, que defende a revisão do Código Penal no sentido de se proceder a uma maior criminalização para o crime de fogo posto, o ministro disse que «essas matérias já foram equacionadas em tempos idos».

«É uma proposta que fica feita pelo presidente da Liga, todos temos naturalmente a ideia de que quem pratica crimes desses merece uma sanção», acrescentou Miguel Macedo que falava na inauguração das obras de recuperação da Esquadra do Infante, no Porto.

O ministro da Administração Interna considerou que «é evidente que esse tipo de situação depende muito da vigilância que todos possamos fazer».

«Situações de movimentações mais estranhas, mais suspeitas, devem ser referenciadas de imediato às forças de segurança, porque, em muitos desses casos, isso significa um dano muito importante do ponto de vista patrimonial e, às vezes infelizmente e dramaticamente, também do ponto de vista pessoal», acrescentou.

O ministro considerou ainda que, em geral, o combate aos fogos florestais «tem corrido bem e com grande eficácia», admitindo, contudo «algum cansaço do dispositivo» dos bombeiros.

«Evidentemente temos fatores de preocupação, à medida que o tempo avança e que estas condições difíceis do ponto de vista meteorológicos se acentuam, é óbvio que se pode esperar algum cansaço do dispositivo, mas até agora, o que importa sublinhar é essa capacidade dos bombeiros nesse trabalho imenso contra os fogos florestais», acrescentou.

Ministro garantiu que cortes orçamentais não afetarão capacidade operacional

Miguel Macedo garantiu ainda que o esforço de contenção orçamental que é necessário fazer não afetará a capacidade operacional das forças de segurança.

«Tenho dito que temos de ter e temos tido as condições indispensáveis para garantir segurança no país, e temo-lo feito quer na área da proteção civil quer da polícia. Não pode haver um orçamento que incapacite as forças de segurança e da proteção civil de fazerem o seu trabalho», afirmou.

Miguel Macedo falava aos jornalistas na inauguração da Esquadra do Infante, no Porto, que sofreu obras de recuperação orçadas em cerca de 250 mil euros.

Na cerimónia, o ministro anunciou que dentro de um mês será também inaugurada a nova esquadra de Aldoar, seguindo-se as novas instalações da Divisão de Trânsito da PSP, no Porto.

No atual contexto de crise, «temos de escolher com muito critério os investimentos essenciais e imediatos, é o caso destas instalações que estão localizadas numa zona carismática da cidade, que serve cerca de 18 mil residente e recebe milhares de turistas», disse.

Miguel Macedo referiu ainda que está a ser feito um esforço para que exista uma maior visibilidade das forças policiais como forma de combater «um sentimento subjetivo de insegurança que não tem tradução na realidade».