A A14 e a A8 foram cortadas este sábado devido a incêndios. A A8 já reabriu ao trânsito. 

No concelho de Cantanhede, distrito de Coimbra, o fogo que deflagrou ao início da tarde de sexta-feira, e que estava dado como dominado, reacendeu com uma frente “muito rápida e forte”, disse à agência Lusa Patrícia Gaspar, da Proteção Civil. 

Reativou hoje à tarde, ganhou uma frente muito rápida e forte”, afirmou, em declarações via telefone, a adjunta nacional de operações da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), acrescentando que esta frente tem uma extensão de cinco a seis quilómetros.

Devido a este fogo, a A14 foi novamente cortada, entre Coimbra Norte e Figueira da Foz, nos dois sentidos, no nó de Cantanhede, Ançã. As chamas estão a ser combatidas por 294 operacionais, 91 veículos e três meios aéreos.

O repórter da TVI, António Crespo, testemunhou o encerramento da A14, pelo terceiro dia consecutivo, e explica que os reacendimentos do fogo está a criar momentos de aflição entre a população. Cioga do Campo, em Coimbra, é um desses locais.

Uma quinta que acolhe eventos, na localidade de Lamarosa, concelho de Coimbra, foi evacuada "por uma questão de precaução", tendo sido retiradas cerca de 250 pessoas que estavam numa festa de casamento, disse à agência Lusa Patrícia Gaspar.

Já em Torres Vedras, um incêndio obrigou ao corte da A8 - Auto Estrada do Oeste nos dois sentidos, pelas 16:03, disse à agência Lusa Patrícia Gaspar, da Proteção Civil.

Segundo precisou a adjunta nacional de operações da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), o corte desta via de circulação deveu-se a um incêndio registado perto da saída de Torres Vedras Norte.

A estrada já reabriu ao trânsito.

Outros incêndios ativos no país

Mais de 3.300 operacionais combatem, este sábado, 90 fogos em todo o país. Mas a Proteção Civil destaca cinco grandes incêndios em quatro distritos, Santarém, Coimbra, Aveiro e Setúbal.

No concelho de Abrantes, distrito de Santarém, o fogo, que deflagrou na quarta-feira, apesar de já estar "dominado", continuava - às 16:30 - a mobilizar o maior número de meios, contando com 550 operacionais, apoiados por 185 viaturas. Há ainda o apoio de duas aeronaves.

O comandante dos bombeiros voluntários de Abrantes disse, entretanto, que o incêndio está "sem frentes ativas", apesar de alguns reacendimentos noturnos.

Durante a noite, o fogo perdeu força, apesar de dois ou três reacendimentos rapidamente resolvidos, e esta manhã o incêndio está sem frentes ativas", afirmou à Lusa António Jesus, tendo acrescentado que a evolução do combate é "bastante favorável" e que o fogo "deve entrar em fase de resolução até às 13:00".

"O trabalho no terreno está a ser feito com várias máquinas de rastos, para fazer aceiros, rescaldo, consolidação e vigilância, também com o apoio de meios aéreos, apagando e resolvendo de imediato reacendimentos e pequenos focos de incêndio", disse ainda o comandante dos bombeiros de Abrantes.

A presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, disse, entretanto, que tudo indica que os incêndios no concelho, em fase de resolução desde a manhã de hoje, tenham origem criminosa e aguarda agora os resultados das investigações em curso.

No mesmo distrito, no concelho de Ferreira do Zêzere, o incêndio também está dado como dominado. Chamas deflagraram na noite de sexta-feira e ainda mobilizava 143 operacionais, apoiados por 40 meios terrestres, pelas 16:30.

Em Setúbal, Grândola, o fogo ainda não está dado como extinto e permanecem no local 175 operacionais, apoiados por 55 viaturas.

O incêndio florestal que deflagrou na quinta-feira no concelho da Mealhada e que depois de estar dominado se reacendeu na sexta-feira entrou em fase de resolução (sem “perigo de propagação para além do perímetro já atingido”) esta madrugada, mas mantinha, pelas 16:30, um total de 225 operacionais e 55 viaturas no terreno e dois meios aéreos.

Já este sábado de manhã, durante o briefing diário, Patrícia Gaspar, a adjunta de operações da ANPC, revelou que sexta-feira foi o dia deste ano em que Portugal registou mais incêndios, num total de 220 ocorrências, das quais 60 apenas no distrito do Porto.